Vivemos em uma época similar àquela das revoluções industriais dos séculos anteriores. Tudo se transforma constantemente e novos desafios de gestores e gestoras colocam a urgência de acompanhar essas novas demandas por meio de formação continuada e consciência do cenário atual
Você notou que estamos vivendo em um período revolucionário que vai além dos computadores e das inovações na área de telecomunicações? Já percebeu que um novo mundo está nascendo com uma nova maneira de pensar, sentir, agir e interagir? Na sua opinião, os educadores se preparam para essa nova era? E você como gestor se preparou para essa nova realidade? Quais são os desafios para gestores e gestoras deste novo cenário?
“Quando tudo está perdido
sempre existe um caminho,
quando tudo está perdido
sempre existe uma luz”
(A Via Láctea – Legião Urbana)
Não tem como negar que estamos diante de um novo tempo e precisamos nos antecipar a ele. Contudo, só conseguiremos isso por meio de ações e inovações que diagnostiquem, orientem, inspirem, aperfeiçoem, atualizem, qualifiquem, preparem os educadores e alunos para obter sucesso no processo de aprendizagem, sucesso profissional e realização pessoal.
Dessa forma, na sua gestão, a administração, a avaliação, o planejamento, o controle de comportamentos, dos documentos e o direcionamento das ações são componentes gerenciais fundamentais para você ter sucesso no fortalecimento da sua “empresa escolar” dentro de uma projeção mercadológica eficiente (utilização racional dos recursos) e eficaz (realização de objetivos).
O que é ser gestor escolar no século XXI?
“Os fatores que permitiram a escola sucesso no passado não mais propiciam sucesso no presente e não garantem sucesso no futuro.”
(Roberto Shinyashiki)
Com certeza, é uma tarefa árdua. Pois, de um lado estamos marcados pela turbulência econômica, política, concorrência, exigências cada vez maiores das famílias e estudantes. Já do outro lado está a ansiedade, o medo e a resistência dos educadores e educadoras em rever a concepção de educação e antigos paradigmas que os acompanham diariamente, muitas vezes, dificultando o sucesso na sala de aula. Você concorda com essa minha afirmação?
Muitas vezes, no contexto do cotidiano escolar, você que é gestor se depara com situações inéditas e imensos desafios. Assim, navega sem bússola em caminhos desconhecidos. Mas, saiba que você tem uma saída: a formação continuada, para que constantemente possa atualizar a si mesmo e a sua equipe, de forma a se manter na vanguarda dos processos inovadores da área educacional.
Desafios do gestor escolar
Atualmente, a educação exige profissionais multifuncionais. Nesse contexto, surge o grande desafio para gestores e gestoras de adquirir, urgentemente, uma visão estratégica e uma prática renovada para manter a fidelização e captação de alunos.
A realidade deixa claro que os alunos vivem a era do “desencanto escolar” e nem sempre estão receptivos às aulas, à orientação de estudos, à realização das tarefas de casa, dos trabalhos escolares e das pesquisas. Ou seja, os estudantes não estão receptivos ao processo de aprendizagem como um todo e os pais terceirizam suas responsabilidades.
Quase sempre, a sala do gestor se transforma em uma arena na qual digladiam docentes, estudantes e famílias. Quando isso acontece, a gestão escolar é sempre perdedora, pois o resultado desses conflitos, muitas vezes, é a perda de alunos no fim do ano.
Transformações do século XXI
A grande verdade é que a escola está diante de uma crise que revoluciona a visão disciplinar e ontológica dos educadores, exigindo uma nova perspectiva interdisciplinar, transversal, transdisciplinar e epistemológica. Os educadores precisam rever paradigmas e se libertar de todas as visões fragmentadas e/ou dicotômicas que sedimentaram o modelo de suas aulas e que, na maioria das vezes, não funciona com essa geração de crianças e jovens.
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Concordo com Mozart Ramos quando ele afirma:
“O Brasil ainda tem
uma escola do século XIX,
professores do século XX
e alunos do século XXI.”
Nesse cenário, os desafios para gestores e gestoras nesse século XXI são imensos. Afinal, a gestão escolar precisa ter consciência da necessidade de desenvolver em sua instituição uma educação diferenciada, interessante, dinâmica e criativa, que atenda aos anseios desses jovens atualizando a proposta e toda prática pedagógica da sua equipe. O que não é uma tarefa nada fácil.
Atualmente, os livros e as aulas, se comparadas aos meios eletrônicos, são desinteressantes e desestimulantes. Desse modo, a escola está perdendo para as mídias e muitas estão perdendo alunos e alunas. Alguns historiadores acreditam que estamos vivendo um período muito semelhante ao período da Revolução Industrial, no que concerne ser um período de revolução e de transformação de hábitos e costumes.
Ponto final ou recomeço?
Estamos na Era do Conhecimento e isso só foi possível graças ao avanço tecnológico e científico. A Internet e a globalização estão alterando de forma singular a maneira do homem e da mulher conceber a si e ao mundo. Novos hábitos estão sendo incorporados e estão refletindo no cérebro dessa geração, na sua maneira de pensar, sentir, agir e interagir.
No entanto, nem sempre a escola está preparada para compreender e lidar com essas mudanças de forma adequada. E esse tem sido um dos maiores desafios para gestores e gestoras. Mas, não se apavore! Estamos no meio de uma crise que não é o fim, mas um recomeço.
Há um mundo que está terminando e outro mundo que está começando. Nós? Estamos bem no meio dessa transição, ainda que não tenhamos total consciência. Vivemos um momento de morte e de renascimento ao mesmo tempo. Vivemos um momento de revolução! Sobreviverão os mais aptos.
É inútil fugir dessa verdade: nos dias atuais é preciso questionar os reais objetivos da escola, o papel do gestor e da gestora, da coordenação, do orientador e da orientadora, dos professores e professoras. Além disso, é preciso compreender o que os seus clientes desejam e buscar atender a esses desejos. Porque se a sua escola não atendê-los, o seu concorrente o fará.
Os desafios para gestores e gestoras estão colocados, agora é preciso agir
As escolas que pretendem ter sucesso neste século precisam urgentemente promover uma educação dialógica, que fale a linguagem dos seus clientes, que estimule o cérebro e os sentidos e que desenvolva as redes de aprendências, as inteligências múltiplas e a inteligência socioemocional. Tudo isso para poder competir com as mídias e voltar a influenciar psiquicamente os seus alunos e alunas, gerando interesse por suas aulas e atividades.
Nesse sentido, é fundamental você, como gestor ou gestora, repensar os rumos da educação da sua escola, sem um otimismo ingênuo, mas também sem um pessimismo paralisante, buscando o que é possível ser feito dentro de um planejamento estratégico bem elaborado. Assim, defina metas e objetivos claros, para sair das commodities e navegar no oceano azul, lugar que não existe concorrência. Pois, acredite, sempre é possível inovar. Para isso, é necessário desenvolver a metacompetência.
“Há pessoas capazes de competir, estas são as competentes, e há pessoas capazes de construir novos cenários – estas são as metacompetentes.”
(Eugênio Mussak)
*Tania Queiroz é Personal & Professional Coaching, membro da Sociedade Brasileira de Coaching com formação e certificação internacional reconhecida pela Graduate School of Master Coaches e Institute Coaching Council (ICC). Graduada em História e Pedagogia e pós-graduada em Didática, Tecnologias Aplicadas à Educação e Psicodrama pela PUC. Consultora Associada da Acerplan – Prêmio TOP Educação 2016 e 2017, Diretora do Instituto Tânia Queiroz – Desenvolvimento Humano, Assessora Geral Pedagógica e Administrativa & Marketing de vários colégios. Além disso, é escritora, palestrante, facilitadora em workshops e instrutora de treinamento em Gestão, Atendimento, Liderança e Motivação. Sua missão é garantir que os mantenedores e gestores realizem uma gestão de qualidade. Por isso, seu trabalho é focado no aperfeiçoamento das habilidades e competências socioemocionais e relacionais do ser humano, com técnicas avançadas de coaching e alfabetização emocional, PNL, para que seja possível reencantar o universo profissional e pessoal, elevando os seus níveis de satisfação, realização, harmonia, equilíbrio, empoderamento, plenitude e felicidade. É autora de várias obras pedagógicas para professores e obras para o universo infantil e adulto, pelas Editoras: Évora, Gente, Rideel, Stimma, Maranta, Ibep-Nacional, Editora Escolar, Editora Didática Paulista.
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