Somente quem vivencia o dia a dia da escola sabe a quantidade de “incêndios” diários que precisa apagar. Por isso, priorizar as demandas para delegá-las, negá-las ou colocá-las em uma lista de espera é uma ótima estratégia para a gestão escolar desafiadora.
O nível de responsabilidade de quem faz gestão nunca é baixo, pouco ou limitado. No caso da gestão escolar, o nível de complexidade se multiplica. Isso acontece principalmente quando se entende a responsabilidade de conduzir uma parcela significativa da educação de dezenas (às vezes, centenas ou milhares) de estudantes.
Supervisão, coordenação e direção são apenas alguns dos termos mais usados nas escolas para as principais personas que atuam na gestão escolar. Há muitas outras nomenclaturas, mas, em maior ou menor nível de responsabilidade, cada qual tem sua parcela de contribuição, com várias ações e atividades cotidianas que impactam diretamente o processo de ensino-aprendizagem.
Quando se diz aqui “várias ações e atividades”, somente quem vivencia o dia a dia da escola sabe a quantidade de “incêndios” diários que precisa apagar: estudante que se machuca, professor que falta, mãe de aluno que quer desconto, fornecedor que atrasa uma entrega, banheiro que entope, etc.
Esses são apenas alguns exemplos daquilo que a gestão escolar enfrenta. Contudo, diante desse oceano de imprevistos, além das coisas que também já fazem parte da agenda regular, o InfoGeekie propõe atrelar a palavra “gestão” à “simplicidade”. Qual é a coerência disso?
Minha experiência na Geekie
A Geekie não é uma escola, mas é uma empresa que tem a educação em sua gênese, como seu norte, objetivo e ideal. Minha experiência profissional começou como professor, passou pelo mundo editorial e desembocou aqui.
Nessa trajetória, fui aprendendo e me desenvolvendo, mas nada como o que ocorreu com meu perfil profissional nesses anos na Geekie. Tudo isso para dizer que também enfrento desafios semelhantes aos que ocorrem em uma gestão escolar desafiadora.
Há pessoas autônomas, há pessoas dependentes, fáceis e difíceis, há orçamento, há textos para ler e escrever, há comunicações com gente de fora, com gente de dentro. E principalmente, apesar de haver uma agenda, sempre há imprevistos.
Priorizar, negar, esperar ou delegar
Cada nova atividade que aparecia, fosse agendada ou imprevista, precisava de algum direcionamento. Assim, eu conseguia focar naquilo que era realmente indispensável. Foi quando cheguei ao breve esquema a seguir.
- Priorizar – Determinadas ações não podem esperar, é preciso executá-las imediatamente. Para além desse nível de urgência, seu nível de importância demanda que elas sejam feitas apenas por você. Portanto, é preciso parar tudo para colocar a mão na massa. Ex.: mantenedora quer entender como anda o orçamento.
- Delegar – Existem atividades que não podem esperar, mas que apresentam um nível de importância um pouco menor. Essa é uma das grandes oportunidades de começar a desenvolver também outras pessoas de liderança, afinal, sucessão é algo premente em qualquer nível de gestão. Ex.: pai de aluno aparece de surpresa para falar de calendário de prova.
- Esperar – Atividades que você mesmo precisa executar, mas que não precisam ser naquele momento, merecem estar na sua sala de espera. Dizer “agora não” pode fazer uma grande diferença, pois ensina os demais a ter paciência, enquanto você pode focar naquilo que é mais urgente. Ex.: analisar as pessoas que merecem promoções salariais.
- Negar – A palavra “não” é transformadora. Embora a quantidade de vezes em que ela é dita diariamente seja absurda, nem sempre ela é dita da forma mais adequada. Com o tempo, as pessoas entendem o que realmente devem levar para a gestão e o que podem (e devem) resolver sozinhas. Ex.: revisar a prova de um professor antes de sua aplicação.
A gestão escolar desafiadora pode ser simples
Com essas dicas, gerir parece simples e realmente pode ser. Mas, isso não quer dizer que deixa de ser menos desafiador. Há aqui dois aspectos dificultadores: o primeiro deles está em fazer as pessoas entenderem que você precisa priorizar tarefas. É preciso que elas também queiram fazer as coisas (delegar) e saibam ouvir um “não”, seja momentâneo (esperar) ou seja permanente (negar).
Já o segundo dificultador se refere ao julgamento. Para cada ação ou atividade que lhe aparece, é sua a decisão sobre qual critério elas se encaixam. Muitos desses julgamentos são feitos no dia a dia e já há muito tempo. No entanto, o que trazemos aqui é apenas uma forma de sistematizá-los.
Isso é desafiador, mas, acredite (falo por experiência própria), é também muito prazeroso.
* Érick Nascimento é formado em Letras pela UFC e tem mestrado em Literatura Comparada pela mesma instituição. Após anos de experiência na sala de aula, na qual atuou desde o Ensino Infantil até o Ensino Superior, tornou-se coordenador pedagógico-editorial em um sistema de ensino. Atualmente, gerencia o time de conteúdo do Geekie One.
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