Em um cenário com mudanças constantes, os profissionais do mercado de trabalho precisam ter múltiplas competências para se destacar. O mesmo ocorre na escola: um gestor estratégico 4.0 é aquele que tem metacompetência e vai além, com um olhar holístico para toda a equipe de educadores e educadoras
Antes de pensar o que é um gestor estratégico 4.0, vamos refletir: Você já se preocupou com o número de alunos matriculados? Já pensou que está despreparado para enfrentar os desafios atuais, ainda que tenha muitas qualificações? Já se sentiu inseguro, com medo dos dias vindouros e com incertezas referente a inadimplência e ao seu faturamento? Você sente medo da tecnologia e do que está por vir na área educacional?
Não é sem motivo que o ex-executivo do Facebook, Antônio Garcia Martinez, 40 anos, largou tudo e se refugiou em uma ilha para sobreviver a um apocalipse tecnológico. Em entrevista à Revista BBC Brasil (edição de agosto 2017), Martinez disse: “Dentro de 30 anos, metade da humanidade não terá trabalho. E a coisa pode ficar feia, pode haver uma revolução. É por isso que estou aqui”.
Mas, será que a solução para combater a crise é fugir para uma ilha deserta?
Calma, calma, não desanime e seja um gestor estratégico 4.0!
Fugir não é a solução. Alienar-se não mudará o fato de que a crise é real. Sentar e chorar também não vai adiantar. Há um ditado popular que diz: “enquanto alguns choram, outros vendem lenços”.
Mas, você deve se perguntar: Como concorrer com tantas escolas? Como disputar com escolas maiores? Como manter alunos com a concorrência desleal? Se você se faz essas perguntas e fica assustado ou assustada em épocas de matrículas, eu tenho uma boa notícia para você!
Atualmente, não basta ser um gestor, é preciso ser um “gestor estratégico 4.0” com qualidades humanas. A formação acadêmica sozinha pode não ser suficiente para garantir resultados extraordinários em matrículas e rematrículas. É preciso visão estratégica de negócios, empatia, criatividade e muita inovação.
Você pode ser formado ou formada nas universidades de Massachusetts, Stanford ou Harvard, que estão nos primeiros lugares no ranking do mundo. Mas, sem pensamento abdutivo, criatividade, originalidade e sem “ir além”, não motivará sua equipe a fazer com boa vontade o que precisa ser feito. Ou seja, você não será um ou uma líder 4.0 metacompetente e terá dificuldades em fidelizar alunos.
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É necessário “ir além” para ser um gestor estratégico 4.0 com metacompetência
Empresas visionárias e vencedoras têm gestores ou gestoras que inovam o tempo todo. Assim, os profissionais são motivados pelos seus e suas líderes, que trabalham ambicionando não só o salário mensal e os benefícios, mas também o crescimento e progresso organizacional e pessoal. As empresas precisam de funcionários que vistam a camisa da empresa, e só os conseguem com os gestores metacompetentes. Na escola não é diferente.
O gestor estratégico 4.0 metacompetente gerencia sua equipe levando em consideração as qualidades humanas, como empatia, solidariedade, criatividade, inovações, conhecimentos e muita harmonia com seus subordinados. Ele descobre talentos, inspira, motiva, orienta, delega (e não “delarga”), bem como visa o bem estar de todos e se diferencia dos competentes.
“Metacompetência é a palavra de ordem no mercado de trabalho, pois são de diferenciais competitivos que as empresas estão em busca. Pessoas capazes de transformar problemas em soluções e adversidade em oportunidade!”, define o autor Eugênio Mussak. Segundo ele, a “metacompetência é ir além da competência (o prefixo meta significa ‘ir além de’)”.
Metacompetência x competência
No seu livro “Metacompetência”, Mussak diz: “O incompetente faz menos do que dele se espera, o competente faz o que dele se espera e o metacompetente faz mais do que se espera dele. É aquele funcionário que sempre surpreende quando tem iniciativa, vai além do solicitado. O profissional competente é aquele que cumpre com suas obrigações. O profissional metacompetente é quem está além da competência, é aquele que tem a capacidade de construir, criar e inovar e tem uma personalidade agradável. O que define o profissional metacompetente são as suas qualidades técnicas, pessoais e humanas”.
Você é competente ou metacompetente? Pare e pense: Quantos educadores e educadoras da sua escola são metacompetentes ou apenas competentes? Como gestor ou gestora o que tem feito para a sua equipe alcançar a metacompetência? Tem oferecido cursos, palestras, treinamentos?
Para Eugênio Mussak, os profissionais considerados metacompetentes têm o conhecimento (saber), a atitude certa (vontade) e inúmeras habilidades (poder). Em outras palavras, eles têm as competências essenciais (adquiridas durante a sua formação) e as competências transversais (adquiridas pelo esforço próprio).
Competências transversais
Vamos visualizar com um exemplo: um médico, apenas com as competências essenciais, elabora diagnósticos e promove tratamentos. Já um médico com as competências essenciais e transversais, elabora diagnósticos e promove tratamentos, mas tem profundos conhecimentos de gestão, de planejamento, organização, tem alta liderança. Além disso, ele é excelente na comunicação, nos relacionamentos, domina o universo da informática e do marketing. Esse profissional, com certeza, se diferencia do anterior e ocupa altos cargos, como a de diretor de um hospital.
Com o exposto, podemos concluir que, no geral, os profissionais têm competências essenciais para executar o seu trabalho, mas para serem profissionais com destaque e garantirem seu sucesso, atualmente necessitam das competências transversais. Ou seja, são elas que farão a diferença na sua carreira.
Nas mais diversas profissões, os profissionais possuem as competências essenciais que adquiriram nos bancos escolares. Eles dominam os saberes técnicos, mas as competências transversais – como a comunicação, a flexibilidade, a criatividade, a visão do negócio, a capacidade de tomar decisões e agir e a inovação -, são adquiridas ao longo das suas vidas dependendo da sua contínua capacitação e aprendizado.
O profissional de sucesso tem competência técnica (competência essencial) e tem qualidades humanas (competência transversal). A busca da excelência é sua meta. Por isso, ele supera os próprios limites e elimina os inimigos internos, como as crenças limitantes, a preguiça, o conformismo, o comodismo, a negligência, o cansaço, a inveja, o desânimo, o medo do novo e a arrogância. Além disso, são profissionais que dão valor a si mesmos, ou seja, têm autaestima e possuem inteligência ético-moral.
Planejamento estratégico de crescimento: um exercício necessário
Para você ser um gestor 4.0 metacompetente, precisa realizar semestralmente o seu planejamento estratégico de crescimento, definir metas e objetivos e realizar seu plano de ação. Você sonha grande? Então, planejar será como um exercício para você! É como traçar uma rota de viagem e, então, perseguir seu objetivo.
O planejamento estratégico faz isso para você. Ele resolve as questões problemáticas e elimina situações que tomam tempo e causam contratempo. O planejamento estratégico normalmente acerta o alvo e envia cada colaborador para sua função exata sem erros e perda de tempo.
Além disso, ele ensina como se adaptar a cada realidade segundo o momento que a empresa estiver vivenciando. Afinal, as situações mudam e a empresa também muda! Não adianta o gestor escolar perpetuar uma metodologia de trabalho, pois os estudantes também estão em constante mutação, logo, as estratégias que serviram no passado não servem mais para o presente e o futuro.
Se o mantenedor ou o gestor administrativo da escola, por exemplo, não elaborar um planejamento estratégico de crescimento, certamente ele poderá passar longos anos estagnado no mercado. Por isso, o gestor precisa refletir algumas questões muito importantes como:
- O que devo ou não devo modificar nos segmentos da escola para aumentar o número de alunos?
- Por que nós estamos aqui? Onde queremos chegar?
- Onde estaremos em 5 ou 10 anos, com a qualidade do trabalho atual?
- Quais efeitos alcançaremos nos próximos 12 meses, se inovarmos?
- Como atingir esse objetivo em 90 dias?
- Como cada funcionário irá colaborar com um novo plano de ação?

Análise estratégica: em busca de oportunidades
Após ter estas respostas bem definidas, metade do percurso já foi trilhado, e a outra metade acontecerá quando o gestor colocar em prática cada tópico. A análise estratégica procura pelas oportunidades para a escola e descobre possíveis ameaças da concorrência. Para isso, ela faz um minucioso trabalho de entender os seus estudantes e famílias e o mercado, para criar produtos diferenciados.
As pesquisas são as armas mais eficazes da análise estratégica. Elas são capazes de apontar quais são os aspectos de sucesso e fracasso do mercado e, principalmente, dos concorrentes.
Para quem não está acostumado a essa visão, todo planejamento estratégico tem a intenção de atingir objetivos e metas. Alguns acreditam que objetivos são resultados quantitativos e qualitativos, contudo, os objetivos e metas têm a função de estabelecer um prazo para o cumprimento dos resultados estipulados pela organização.
Por isso, realize um diagnóstico situacional da sua escola e verifique as áreas que precisam ser melhoradas. Em seguida, trace um plano, defina as metas e os objetivos e realize um plano de ação. Inove, construa novos cenários! Tudo precisa ser calculado para que a sua escola atinja resultados extraordinários.
* Tania Queiroz é Personal & Professional Coaching, membro da Sociedade Brasileira de Coaching com formação e certificação internacional reconhecida pela Graduate School of Master Coaches e Institute Coaching Council (ICC). Graduada em História e Pedagogia e pós-graduada em Didática, Tecnologias Aplicadas à Educação e Psicodrama pela PUC. Consultora Associada da Acerplan – Prêmio TOP Educação 2016 e 2017, Diretora do Instituto Tânia Queiroz – Desenvolvimento Humano, Assessora Geral Pedagógica e Administrativa & Marketing de vários colégios. Escritora, palestrante, facilitadora em workshops e instrutora de treinamento em Gestão, Atendimento, Liderança e Motivação. Sua missão é garantir que os mantenedores e gestores realizem uma gestão de qualidade. Seu trabalho é focado no aperfeiçoamento das habilidades e competências socioemocionais e relacionais do ser humano, com técnicas avançadas de coaching e alfabetização emocional, PNL, para que seja possível reencantar o universo profissional e pessoal, elevando os seus níveis de satisfação, realização, harmonia, equilíbrio, empoderamento, plenitude e felicidade. É autora de várias obras pedagógicas para professores, obras para o universo infantil e adulto, pelas Editoras: Évora, Gente, Rideel, Stimma, Maranta, Ibep-Nacional, Editora Escolar, Editora Didática Paulista.
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