Mesmo com planejamento pedagógico, qual professor ou professora nunca ouviu que os estudantes “não tiveram aula” depois de uma experiência com um filme? Em síntese, o motivo dessa interpretação é a falta de intencionalidade pedagógica na seleção e uso de novas (e antigas) tecnologias no processo de aprendizagem.
O planejamento pedagógico faz parte do início do ano, pois é o momento de programar o que será trabalhado em aula. Durante esse processo, são necessárias duas perguntas básicas que servem quase como um guia ou um mantra: “Como?” e “Por quê?”.
Assim como em uma viagem, em que precisamos planejar hospedagem, locais para visitar e passagens, no planejamento de aula temos que pensar em alguns itens. Objetivos da escola e de aprendizagem, métodos e materiais que serão utilizados e plano de ação são imprescindíveis para não perder a direção nesse caminho.
Ao falar em materiais necessários, estamos nos referindo a todas as ferramentas que poderão nos ajudar nesse processo. Ou seja, recursos que auxiliarão o estudante a construir o conhecimento de forma diferenciada e enriquecedora, como o material didático, uma tirinha, trecho de filme, aplicativo, etc.
As novas tecnologias no planejamento pedagógico
Bem, chegamos a um ponto importante, as ferramentas digitais ou novas tecnologias. O planejamento de aula ou da ação deve pensar estrategicamente e ter um objetivo definido para o uso de ferramentas digitais, ou de quaisquer outras.
Qual professor ou professora nunca levou estudantes ao laboratório de informática ou trouxe um filme para explorar e ouviu que “não estavam tendo aula”? Enfim, esse comportamento é um sinal claro de uma falha grave: a não demonstração do porquê ao estudante, de qual o objetivo está por trás do uso daquela ferramenta.
Cada vez mais, muito se preza pelo uso de ferramentas digitais em sala de aula, bem como na inovação da prática docente, tendo em vista o distanciamento da escola com a vida cotidiana fora dela. No entanto, o problema é que tal distanciamento também faz parte da formação da maioria dos educadores e educadoras. Isso acontece principalmente no que tange ao uso desses novos recursos, muitos dos quais esses profissionais ainda não conhecem ou não dominam.
Desse modo, sem a formação atualizada e necessária, e objetivando uma visão um pouco mais “inovadora” de suas aulas, docentes acabam por explorar ferramentas sem objetivo definido. Caem, assim, no famoso “uso pelo uso” de aplicativos de realidade virtual e aumentada, jogos e outras aplicações.
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A importância da intencionalidade pedagógica
Aqui, entramos em uma discussão importante para todos os profissionais da educação: a intencionalidade pedagógica no uso de qualquer recurso. Pergunto: o que um aplicativo que somente explora adição trará de benefício real em aprendizagem ao estudante? Se 1 + 1 continuará sendo 2 no papel ou no tablet, e nem um e nem outro propiciarão uma experiência diferente que enriqueça, engaje e transforme o modo de ver aquele conteúdo, não importa o suporte utilizado.
Temos aplicativos, sites e outras ferramentas realmente transformadoras, especialmente aquelas que propiciam a criação, não apenas o consumo do que está pronto. Além disso, muitos apps trazem uma verdadeira riqueza de detalhes do corpo humano ou do espaço, por exemplo, e servem como suporte e uma possibilidade a mais ao professor e à professora que pretende compartilhar os novos conhecimentos através de experiências diversificadas.
É importante ressaltar, no entanto, que é preciso que docentes e discentes tenham de forma clara o motivo do uso e exploração daquele aplicativo específico, o aprofundamento de questões que já foram trabalhadas, o enriquecimento do que já foi estudado ou a provocação para algo que será discutido. Caso contrário, será mais um dia que, para os estudantes, “não terá aula de verdade”.
Para finalizar, antes de planejar uma aula e pensar nos recursos tecnológicos ultra, mega, power inovadores, questione-se: estou inovando ou apenas digitalizando o ensino tradicional?
Lembre-se: intencionalidade.
* Emilly Fidelix é professora e doutoranda em História Cultural pela Universidade Federal de Santa Catarina (Bolsista CAPES), Especialista em Tecnologias, Comunicação e Técnicas de Ensino pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (2018), Mestra em História Cultural pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) pela linha de pesquisa História da Historiografia, Arte, Memória e Patrimônio, especialista em História Social (2013), graduada em Licenciatura em História (2012). Criadora do “Se liga, prof!”, projeto pessoal que reúne dicas, materiais e inspirações sobre inovação educacional no Instagram (@seligaprof), Youtube, Facebook e Twitter.
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