Da personalização aos micromundos: as metodologias e rotinas ativas na Bett 2019

Na tarde do primeiro dia da Bett Educar 2019, Lilian Bacich conversou com os congressistas sobre metodologias ativas e a personalização da aprendizagem apresentando dois casos práticos em diferentes escolas. Leo Burd, pesquisador do MIT e consultor da Faber-Castells, apresentou o conceito de aprendizagem criativa e micromundos

Depois dos debates teóricos da manhã, a tarde do primeiro dia da Bett Educar 2019 foi o momento para compartilhamentos de experiências. Lilian Bacich, fundadora da Tríade Educacional e referência em metodologias ativas e ensino híbrido, apresentou uma breve contextualização de suas áreas de trabalho e introduziu dois casos de escolas e professoras que colocaram a teoria na prática para inovar na educação.

Na parte mais teórica de sua apresentação, Bacich destacou os elementos mais importantes para a personalização do ensino por meio de metodologias ativas. Segundo ela, o primeiro ponto é ter clareza os objetivos de aprendizagem. Com isso definido, é preciso desenhar as experiências mais adequadas para os estudantes, pensar no ambiente no qual essa atividade vai ser desenvolvida e fazer da avaliação uma ferramenta formativa integrante de todo o processo de aprendizagem.

Para ilustrar sua fala inicial, Bacich convidou a professora de Língua Portuguesa do Colégio Beka, Michelle Pinheiro, para compartilhar uma experiência de aprendizagem em ensino híbrido e metodologias ativas. Pinheiro usou a sala de aula invertida e a rotação por estações com uma turma do 8º ano do Ensino Fundamental. Para a primeira estratégia, a professora selecionou uma vídeo-aula para os estudantes assistirem a ele em casa. Na aula, os alunos e as alunas passaram por uma atividade diagnóstica para entender quais foram os conhecimentos que eles aprenderam a partir do estudo individual.

Na sequência, Michelle dividiu a sala em grupos e deu as orientações necessárias para seus alunos e alunas trabalharem em diferentes estações. A primeira era uma estação teórica na qual eles tinham que registrar no caderno o que julgaram importante sobre o conteúdo. A segunda foi chamada de “Mão na massa”. Nesta, os discentes tinham que criar pequenas cenas de uma peça de teatro e logo passavam para as outras duas: a tecnológica na qual tinham que fazer um mapa mental com suporte de um app e a de divulgação para produzirem um cartaz sobre o tema.

A aula terminou com uma autoavaliação, “também pensando na personalização”, destaca a professora. Além de os estudantes desenvolverem a competência de se autoavaliar, a professora também reservou um tempo para amarrar a aula com os estudantes. Segundo ela, toda essa dinâmica – à qual seus alunos e alunas já estão acostumados -, aumentou o engajamento da turma. O desafio para a docente, no entanto, estava no tempo disponível. Ela conta que, quando tem aulas duplas ou triplas, a dinÇamica se torna mais tranquila e espaçada no tempo. Porém, quando a aula é única, alguns ajustes são necessários. “Em uma aula de 50 minutos, por exemplo, é possível fazer até três estações de 20 minutos cada: duas no primeiro dia e a terceira num segundo. O tempo final sempre precisa ser reservado para amarrar o conteúdo e esclarecer as principais dúvidas que ficaram”, explica a educadora.

Aline Ohnuki, analista técnico educacional do SESI-SP, também para complementou a fala de Bacich relatando a experiência da unidade de Limeira que tem a personalização em seu DNA. Além de explicar o processo de construção do currículo e formação dos professores, assuntos que Ohnuki explicou ao InfoGeekie em entrevista exclusiva, ela mostrou uma prática com alunos que foram desafiados a identificar as árvores frutíferas de uma plantação da escola. A atividade personalizada para um grupo específico de estudantes com necessidades semelhantes foi um momento para estudar na prática o que em outras escolas eles veriam apenas na teoria.

Micromundos e aprendizagem criativa

No final do primeiro dia, Leo Burd, pesquisador do MIT e consultor da Faber-Castells, apresentou o conceito aprendizagem criativa e micromundos que pautam o trabalho com educação da empresa. Em uma fala mais teórica, o educador conceituou o tema de sua palestra e a metodologia pedagógica imersiva que transforma a sala de aula.

Segundo Burd, o referencial teórico com o qual ele trabalha se pauta no construtivismo de Piaget, mas dá um passo além. Esse avanço conceitual foi elaborado por Simon Papert, também pesquisador do MIT, que cunhou o termo construcionismo. “Acreditamos que o indivíduo aprende mais quando constrói algo, quando coloca a mão na massa”, explicou Burd.

A aprendizagem criativa é sustentada por o que os pesquisadores do MIT chamam de 4 Ps: projetos (projects, no inglês), paixão (passion), pares (peers) e pensar brincando (play). Essa conceituação engloba, assim, o conceito de conteúdo significativo que deve se conectar com a criança e sua realidade para que ela se envolva na atividade, se desenvolva com seus colegas e explore lúdica e livremente.

O ponto seguinte dessas referências foi o do micromundo, que engloba as teorias de aprendizagem baseada em projetos e propõe uma transformação na sala de aula para literalmente criar um mundo novo no qual o aprendiz explora e intervém. Um dos modelos desse micromundo é a “Floresta encantada”: a sala é transformada em um bosque no qual os estudantes exploram, pensam e criam criaturas daquele ambiente. Essa criação ocorre com a “mão na massa” e as crianças são incentivadas até a criar esses seres.

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