Saber se um aluno ou aluna aprende melhor de forma visual, auditiva, sinestésica ou quais são as múltiplas inteligências dos estudantes é uma estratégia importante. Isso torna a aprendizagem personalizada e assertiva. Saiba como o Ensino Híbrido contribui para a inclusão nesse processo!
Quando Carolina Crittelli, professora de matemática e editora de conteúdo da Geekie, começou a lecionar em uma nova escola, no começo de 2019, poucas informações sobre os alunos e as alunas estavam disponíveis. No entanto, ela precisava conhecer cada um deles para planejar suas aulas e adequar o processo de aprendizagem para as particularidades dos discentes.
Como não tinha muito tempo para fazer entrevistas individuais, Crittelli teve a ideia de organizar uma atividade em grupo com seus novos estudantes. Assim, ela separou todos os discentes e atribuiu papéis na dinâmica a cada um. Alguns iriam apresentar os resultados da atividade, outros iriam anotar as discussões feitas ou preparar a apresentação artística do trabalho, mas todos tinham que trabalhar em conjunto para entregar um resultado final.
Enquanto os estudantes desenvolviam a proposta de Crittelli, ela observava. Em uma aluna, percebeu uma facilidade muito grande para se comunicar. Outros dois, mais tímidos, fizeram ótimas anotações da conversa de sua turma e se destacaram nas dobraduras que precisaram fazer. Já algumas alunas mostraram tendência para liderança e chamaram pra si a responsabilidade de organizar as falas e tarefas de seus colegas.
A professora conta que essa observação foi útil para entender quais eram as habilidades de cada membro da turma. Com essas informações, ela pôde pensar em atividades mais direcionadas para englobar todos os estudantes em seu planejamento. Dessa forma, Crittelli passou a usar atividades que contemplavam aquela aluna líder, aquele que gostava de fazer anotações e aquela outra que tinha facilidade na comunicação em público.
A importância de reconhecer os estilos de aprendizagem
Conhecer os diferentes estilos de aprendizagem é uma estratégia importante para personalizar esse processo. Embora as tradicionais aulas expositivas tenham seu valor e sejam efetivas para alguns, se limitar a essa única estratégia faz com que parte dos estudantes não seja contemplada e fique com lacunas em seu desenvolvimento.
Mesmo que haja diferentes teorias sobre essas formas de aprender, todas fazem coro sobre o fato de que as pessoas têm suas singularidades quando o assunto é adquirir conhecimento. Ou seja, nem todos aprendem apenas anotando, ouvindo ou falando.
Há aqueles que fixam melhor o conteúdo quando fazem experiências, um estilo de aprendizagem conhecido como cinestésico, baseado no famoso “mão na massa”. Já outros se desenvolvem melhor quando desenham infográficos ou pequenas ilustrações ligadas ao tema da aula.
Dada essa pluralidade, é importante que o professor ou a professora auxilie seus estudantes a identificar seus estilos ou suas múltiplas inteligências, como define Howard Gardner, professor da Universidade de Harvard.
A questão das metodologias ativas
Com uma experiência diferente daquela relatada por Crittelli, a educadora Irina Lembo também observou, no início da carreira, a importância de conhecer os estilos de aprendizagem de seus alunos e alunas. A coordenadora do colégio Passo Seguro tem mais de 30 anos de experiência em sala de aula e conta que ministrava aulas particulares para estudantes que apresentavam dificuldades no processo de aprendizagem.
Quando precisou ensinar a uma aluna as operações matemáticas, a professora precisou testar mais de uma estratégia pedagógica até entender como sua estudante realmente conseguiria aprender o que era proposto. Assim, com os anos de experiência, Lembo acumula uma bagagem que a ajuda a orientar o corpo docente de sua escola.
Ela reforça que os professores precisam estar atentos a todas as possibilidades e estratégias pedagógicas para que possam englobar os estudantes. “Ao ter na mesma aula um vídeo, uma imagem e abrir espaço para a fala, o professor e a professora favorece o auditivo, o visual e até algumas questões mais empíricas como experiências em laboratórios”.
Desse modo, “ter estratégias diferenciadas para não favorecer apenas um grupo de alunos é uma ideia para não ter a sensação de ‘será que os estudantes estão aprendendo?’. Sem isso, o docente só vai descobrir na avaliação se atingiu ou não os objetivos de aprendizagem com seus estudantes”.
Como o Ensino Híbrido pode ajudar?
Parte dessas estratégias é contemplada pelo uso de metodologias e rotinas pedagógicas ativas, como é o caso do Ensino Híbrido. Crittelli edita o material do Geekie One com essas indicações de práticas pedagógicas e as aplica em suas aulas. Ela ressalta que entender como utilizá-las é um caminho importante para englobar todos os estudantes. Afinal, é muito mais fácil estimular diferentes formas de aprender quando a gente sabe como que funcionam essas metodologias.
Uma rotina de pensamento que traz uma imagem e faz as pessoas refletirem a partir daquela imagem. Ou então estratégias que ajudam a estruturar o pensamento com “o que pensava antes” e “o que eu penso agora”. De acordo com Critelli, esses exemplos ajudam muito a diversificar a aula e a estimular diferentes formas de aprender.
A coordenadora do Colégio Passo Seguro, Irina Lembro, e a professora de matemática e editora de conteúdo do Geekie One, Carolina Crittelli, participaram do bate-papo on-line “Ensino Híbrido e as diferentes formas de aprender”. A conversa foi mediada pela consultora pedagógica da Geekie, Dija Santos. Você pode assistir a esse encontro aqui:

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