8 forças de cultura para construir um ambiente de aprendizagem

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estimular força de cultura na escola reforça cultura de aprendizagem

Segundo Ron Ritchhart, há 8 forças de cultura que podem estimular a cultura e o ambiente de aprendizagem constantes dentro da escola. Assim, é papel de toda a comunidade escolar estimulá-las para que a cultura de pensamento seja vivenciada.

Para começar essa conversa, vou propor que você imagine uma pequena situação que vou descrever. Inclusive, é possível que você já tenha vivido uma situação parecida, com algumas adaptações.

Uma professora de matemática lida quase diariamente com estudantes de perfis distintos – alguns com facilidade na matéria e outros que, com frequência, dizem frases como: “Matemática não é pra mim, nunca vou aprender”. Desse modo, também diariamente, a professora precisa encontrar formas de motivar estudantes a não desistirem. Ela se pergunta: “Onde foi que esses estudantes ouviram que não são capazes?”. Ao fim da leitura, volte aqui e me diga: Quais forças de cultura estão faltando aqui?

Pensando sobre o ambiente de aprendizagem

Na mesma escola, o grupo docente participou de formações para utilizar algumas ferramentas digitais. Uma professora de História encontra bastante dificuldade com a ambientação da tecnologia e até procura usar as ferramentas em aula.

Porém, sem perceber, eventualmente essa professora expressa, verbalmente ou não, sua insatisfação em precisar aprender a incorporar a tecnologia em suas aulas. Faça o mesmo exercício, pense na situação dessa professora e diga: qual é a força de cultura que mais a ajudaria?

Sabemos que Vygotsky nos trouxe a compreensão de que, além das funções cognitivas, a aprendizagem é também proporcionada pelo ambiente. Ou seja, o desenvolvimento infantil se dá a partir do meio intelectual no qual crianças e adolescentes estão convivendo.

Sendo assim, a partir do relato dessa situação, quero fazer uma provocação: que aspectos de um ambiente de aprendizagem podemos inferir que estão sendo evocados em uma escola como essa? Que desafios estão postos para estudantes e docentes nesse ambiente escolar? Afinal, existem oportunidades de aprendizagem sendo geradas? A linguagem está atuando de forma encorajadora?

As 8 forças para uma cultura de aprendizagem

Obviamente, os elementos desse relato são rasos, pois um ambiente escolar é bem mais complexo do que isso, tenho certeza. No entanto, a proposta é fazer uma provocação sobre a Cultura de Aprendizagem.

Afinal, a escola é lugar para todos aprenderem, inclusive professores e professoras. Aprender está diretamente ligado ao pensamento, e pensar não é algo trivial. Dessa forma, o pensamento precisa se tornar visível.

Pensando nisso, os Workshops de Aprendizagem Ativa realizados pela consultoria do Geekie One tratam deste ponto: como podemos construir um ambiente no qual a cultura de aprendizagem é vivenciada por todos e todas?

Nesse sentido, Ron Ritchhart, em seu livro Creating Cultures of Thinking, aponta as 8 forças culturais. Elas precisam estar estimuladas e equilibradas para garantir que a cultura de pensamento seja vivenciada e, por consequência, a aprendizagem ativa seja constante na escola. São elas:

Tempo

Com tantas demandas de atividades, currículos a serem cumpridos, como fica o tempo para pensar?

Oportunidades 

Todas as propostas que fazemos aos estudantes, através de atividades, trabalhos e avaliações, são oportunidades de aprendizagem. Contudo, temos clareza da intencionalidade pedagógica para cada uma dessas propostas? Elas são suficientemente desafiadoras? 

Modelo

As orientações são tanto no formato cognitivo, guiando os estudantes a construírem seus pensamentos, como por modelos, através de comportamentos que promovam a aprendizagem.

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Interações

Toda relação humana é viva e imprevisível, e não haveria de ser diferente em se tratando da relação estudante-professor(a). Além disso, em uma cultura que valoriza a aprendizagem, as interações têm uma consideração genuína em ouvir e perguntar sobre o que cada um está pensando. O mesmo acontece nas relações entre estudantes.

Rotinas

Todo grupo tem suas rotinas e dinâmicas, algumas delas espontâneas. Assim, o desafio é criar rotinas que favoreçam a aprendizagem e a construção de pensamento, de forma a criar comportamentos que os estudantes irão levar para a vida.

Linguagem

Usamos elementos implícitos ou explícitos no jeito que nos comunicamos com nossos(as) estudantes. Dessa forma, é através de nosso discurso que construímos as experiências sociais nos contextos que vivemos.

Nesse sentido, o convite é que a linguagem que usamos na escola, verbal ou não-verbal, seja criadora de um ambiente favorável ao pensamento e à aprendizagem. 

Ambiente

Você não precisa de pessoas relatando a cultura de uma sala de aula. Então, se você entra em um ambiente e os elementos dele te contam uma história, saiba que lá é um ambiente que propicia a cultura de pensamento.

Por exemplo, paredes e mobiliário representam as construções do grupo que ali se encontra diariamente. Por que será que perdemos essa cultura à medida que os estudantes ficam mais velhos?

Expectativas

O que esperamos de nossos e nossas estudantes? Esperamos que tenham bons comportamentos, estudem em casa e realizem as atividades. No entanto, essas expectativas falam do que é necessário que eles e elas façam e não o que queremos deles e delas.

Desse modo, podemos dizer com mais frequência sobre as expectativas que temos para eles e elas. Por exemplo: esperamos a escolha de um caminho de vida que mais lhe agrade, esperamos a capacidade de lidar com diversas situações de forma ética e responsável, etc. 

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Práticas ativas constroem um ambiente de aprendizagem

Por fim, o uso de Práticas Ativas no dia a dia da sala de aula promove a construção de uma cultura que favorece a aprendizagem. Justamente por serem flexíveis e pouco complexas, quando comparadas a metodologias ativas, elas acabam demandando mais planejamento e complexidade em sua implantação.

Espero que a leitura desse texto promova a reflexão sobre a cultura que estamos criando em nossos espaços de aprendizagem, seja a própria escola, a sala de aula ou a sua jornada formativa como profissional da educação.

* Dija Maria Alves dos Santos é formada em Psicologia e despertou para a área de Educação como educadora e coordenadora no ensino de Inglês com metodologias ativas e afetivas. Também é especialista em Gestão da Educação no Novo Milênio pelo Instituto Singularidades. Além disso, há dois anos atua como consultora pedagógica e acompanha escolas na jornada de inovação com a implantação do Geekie One, facilitando a mudança para a educação que sonham, por meio de planos de ação com gestores(as), formação de professores(as) e ações com estudantes e famílias.

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