Desenvolvendo as competências do século XXI no ensino de Ciências

O trabalho com as competências de nosso século pode ser feito usando o bom e velho trabalho em grupo. É o que a Carolina Brandão mostra em seu novo artigo.

As competências do século XXI são, sem dúvidas, uma das grandes tendências da  modernização do ensino. São o conjunto de conhecimentos necessários para preparar estudantes para a vida em âmbito profissional, acadêmico e também formá-los(as) como cidadãos atuantes em sua comunidade.

Parece ser algo muito complexo, mas as competências do século XXI podem ser desenvolvidas com metodologias simples e até já conhecidas dos professores. Apesar de não existir somente uma definição para essas competências, iremos nesse artigo focar nos quatro C’s: criatividade, colaboração, comunicação e pensamento crítico. Utilizaremos um meio bem comum para o desenvolvimento desses quatro C’s: o trabalho em grupo!

Trabalhando Ciências em grupo a criatividade

A disciplina de Ciências nem sempre está relacionada ao desenvolvimento de criatividade, mas essa relação é mais óbvia do que muitos pensam. A metodologia científica determina que as pesquisas sempre partem de uma pergunta e, em seguida, da formulação da hipótese que, teoricamente, responderia essa pergunta para que, por fim, essa hipótese seja testada.

A oportunidade para o desenvolvimento da criatividade está na pergunta que dispara o experimento ou o trabalho teórico. Por isso, ao propor uma atividade, procure qual é a pergunta na qual o trabalho tem o objetivo de responder e faça essa pergunta aos grupos e peça para que eles deem sugestões de respostas a essa pergunta. É importante dizer aos alunos que, nesse momento, eles não precisam acertar a resposta – o importante é soltar a criatividade em um exercício próximo ao brainstorming.

Colaboração: a palavra-chave do trabalho em grupo

O trabalho em grupo é o tipo de atividade na qual a colaboração deve ser explorada ao máximo. Ao propor o objetivo do trabalho e o passo-a-passo a ser desenvolvido na atividade, estimule a criação de papéis para cada integrante do grupo. Mesmo não se tratando de um experimento prático, faça com que os grupos se organizem como se fossem equipes de pesquisa ou de laboratório, onde cada um tem um papel para desempenhar.

Com essa designação de papéis, motive todos eles a terem uma postura ativa em relação à colaboração: oferecer e pedir ajuda. Essa mentalidade, quando bem desenvolvida, ultrapassa as atividades em grupo e irá acompanhá-los na vida dentro e fora da escola.

Trabalhando a comunicação como um profissional!

Ao fazer com que cada um dos alunos e alunas trabalhem como um pesquisador dentro de uma equipe, a comunicação entre os membros do grupo é fundamental para o resultado final. Independente do papel de cada um ao longo do trabalho, faça que eles entendam que é importante que todos saibam do trabalho como um todo – e não apenas da parte que lhe foi atribuído.

Uma estratégia é a de fazer perguntas a todos os integrantes sobre todos os passos do trabalho. Motive os alunos também a terem um momento específico para trocas, onde cada um deles irá compartilhar com o grupo o que está fazendo, quais são suas dificuldades e suas pequenas conquistas. É importante que eles entendam que a apropriação de um trabalho em grupo é a mesma de um trabalho individual – todos são responsáveis pelo trabalho como um todo.

Pensamento crítico: pensando como um cientista

Por fim, o pensamento crítico é a competência fundamental da metodologia científica e, por isso, poderá ser trabalhada ao longo de todos os passos do trabalho em grupo. Para isso, os integrantes dos grupos deverão ser motivados sempre a fazerem perguntas e questionarem o processo como um todo – existem outras maneiras de testar o que está sendo proposto? Alguma alteração na metodologia poderia chegar em um resultado diferente?

Outra estratégia comum que é interessante para o desenvolvimento do pensamento crítico é a de motivar os estudantes a fazerem perguntas para os outros grupos. É importante que os alunos entendam que a curiosidade e o hábito de fazer perguntas são as características que moldam o pensamento de um cientista, e tente sempre “ativar” esse modo de pensamento durante as aulas de Ciências – sejam aulas teórico-expositivas, seja no desenvolvimento de atividades individuais ou em grupo.

Esse artigo teve o intuito de mostrar que, mesmo com métodos já velhos conhecidos da escola, como o trabalho em grupo, existe a oportunidade de desenvolver novas competências e habilidades nos alunos. Utilizamos o exemplo do ensino de Ciências, mas esses são conceitos que podem ser aplicados em qualquer disciplina com pequenas modificações. Trabalhando as competências do século XXI, além de preparar sua turma para o futuro, você estará contribuindo para que a escola seja mais do que somente um espaço de transferência de conhecimentos, e que seja uma escola para a vida.

*Carolina Brandão é bacharel em Ciências Biológicas com habilitação em Biologia Marinha pela Unesp e pós-graduada em Manejo e Conservação de Fauna Silvestre pela Universidade de Santo Amaro. Trabalha como redatora, editora e revisora técnica de materiais didáticos desde 2010 atuando na área de Ciências da Natureza. Em 2014 ingressou na Universidade de São Paulo no curso de licenciatura em Ciências. Trabalhou na Geekie em 2017 e hoje é colaboradora do InfoGeekie como colunista.

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