Manoel, aluno-símbolo da Geekie, vira atração no Soletrando

Menino de Icó (CE) que chegou à faculdade de Ciências Biomédicas graças ao Geekie Games faz suspense sobre sua participação no ‘Caldeirão do Huck’ deste sábado, mas curtiu a experiência: ‘O Luciano, com aquele narigão, é muito gente boa.’

“Loucura, loucura, loucura, tamo chegando Caldeirãããããoooo!” É isso aí. A Geekie chega, chegando neste sábado (11/6) ao Caldeirão do Huck, na TV Globo, personificada pelo seu aluno-símbolo, Manoel Lima. O garoto de 19 anos que saiu de Icó (CE) para cursar a faculdade de Ciências Biomédicas graças ao Geekie Games, plataforma de estudo para o Enem, participou de uma edição especial do quadro Soletrando.
“Fiquei nervoso, mas acho que fui bem”, diz Manoel. “Dei uma titubeada na palavra ‘estremecer’, que até um finalista do Soletrando errou, em 2009, mas acabei acertando. O resto eu não vou contar, para manter a galera em suspense (risos).” Ah: o programa começa às 15h30.
A equipe do apresentador Luciano Huck costuma guardar a sete chaves o calendário de veiculação das gravações do Caldeirão, algumas delas feitas com bastante antecedência. O Infogeekie precisou insistir bastante até Manoel revelar que recebeu uma ligação da produção avisando que o programa do qual participou vai mesmo ao ar no sábado.

“A Geekie mudou minha vida”

“A gravação é bem diferente do que a gente vê na TV. O programa para toda hora, o Luciano revê tudo que foi gravado”, revela Manoel. E o Huck ao vivo, é muito diferente do que a gente vê na telinha, Manoel? “Não tinha nada de diferente. O Luciano, com aquele narigão, é muito gente boa.”
Manoel participou do Caldeirão com o sócio da Geekie Claudio Sassaki. “Eu disse no programa que a Geekie mudou minha vida e continua mudando a de milhares de pessoas no Brasil”, conta o garoto. “O Luciano já conhecia a Geekie e o Claudio, também falou bem da empresa.”
O jovem precisou ir duas vezes ao Rio para gravar sua participação. Na primeira, nos dias 29 e 30 de maio, o programa foi adiado por causa do acidente de avião que Huck, a mulher, Angélica, e os filhos sofreram no Pantanal. Manoel voltou ao Rio de 11 a 13 de junho. “No primeiro dia, o diretor do Caldeirão explicou os detalhes da dinâmica do Soletrando. Gravei minha participação no dia 12.”

História de superação

Vamos contar um pouco mais da história do nosso aluno-símbolo. Manoel é de uma família humilde de Icó, a 385 quilômetros de Fortaleza. O câncer levou o pai quando ele tinha 7 anos e a mãe precisou se desdobrar para criar os quatro filhos. “Eu sabia que precisava buscar uma forma de mudar de vida”, diz Manoel. Apostar na educação era uma possibilidade, até porque o menino sempre adorou estudar. Mas enfrentava dificuldades inimagináveis para moradores de grandes centros.
Como assim?
Vai vendo: no ensino fundamental a escola de Manoel dividia espaço com uma oficina mecânica (?!). “A escola ocupava quatro salas, o resto era oficina. O teto era todo furadinho. Quando chovia, não tinha jeito, a professora mandava a gente para casa.”

Falta acesso, não vontade

Mais tarde Manoel estudou na Escola de Ensino Médio Vivina Monteiro, 46ª pior colocada no ranking nacional do Enem em 2011. “O problema lá é o governo mesmo que precisa resolver. É difícil ter notebook, o acesso à internet é caro. Falta mais acesso do que força de vontade dos jovens”, disse.
Manoel já trabalhava em um banco e ia para a escola à noite, cansado. Diz que nessa época tinha dificuldade de aprender, mas mesmo assim se destacava. “No 3º ano, muitos dos meus colegas não sabiam ler direito nem calcular. Quando a professora pedia para ler um texto, a maioria gaguejava – não de nervoso, mas de dificuldade com leitura. É triste, mas era assim.”
Manoel era sempre o mais adiantado da turma, mas nunca foi daqueles CDFs que não enxergam nada ao redor. Participativo, foi radialista e repórter em projetos de comunicação e presidiu o grêmio estudantil três vezes.

Histórias cruzadas

Os caminhos de Manoel e da Geekie se cruzaram em 2013, quando o governo do Ceará decidiu adotar o Geekie Games como parte do programa oficial de preparação para o Enem. “Soube da Geekie pela escola, mas não achava que a plataforma ia me ensinar alguma coisa. Depois, quando comecei a navegar, vi que eu era limitado. Aprendia o que me passavam na escola e pronto, mas tinha muito mais conteúdo que eu não conhecia.”
De cético, Manoel virou um geekie gamer de primeira. Passava até 14 horas por dia navegando. “Foi muito legal. Antes, nas aulas de história, eu precisava criar as imagens da minha cabeça. Na plataforma eu já tinha tudo, imagem e conteúdo. Minha mãe precisava mandar eu parar de navegar (risos).”

Rifa-wifi

No grêmio, o garoto organizou uma rifa e conseguiu instalar wifi na escola toda. Recebeu muito estímulo dos professores. “Todo mundo gostava bastante da Geekie na escola, eles sabiam que aquilo era um diferencial”, conta. “Tive uma professora de biologia que foi tudo para mim, me ajudou bastante. Ela dizia: ‘Estuda mesmo pela plataforma, aproveita.’ A galera nem sabia ler direito, então era complicado para eles entender coisas como DNA. A professora sabia que era mais vantagem para mim aprender na plataforma do que ter de ver e rever um assunto duas, três vezes, com o resto da classe.”
No fim do ano, a professora prestou uma homenagem ao seu melhor aluno. Quem deu a última aula de biologia de 2013 foi Manoel.

Hello, Fortaleza

Veio, então, o Enem. E o menino aloirado de aparelho nos dentes de Icó (que na época era meio cheinho, mas depois emagreceu bastante) fez bonito. Entrou no concorrido curso de Ciências Biomédicas na Faculdade Maurício de Nassau, como bolsista do ProUni. É o único da família, incluindo os cerca de 50 primos, a chegar ao ensino superior.
Manoel mudou-se para Fortaleza, onde encara uma rotina pesada. Sai de casa todos os dias às 6 da manhã. Pega ônibus lotado até a faculdade e começa as aulas às 7h15. Fica na Maurício de Nassau até meio-dia, 1 da tarde. Depois vai para o Hospital Infantil Luís França, onde trabalha até as 8 da noite. Dá plantão no hospital todo sábado. Domingo é dia de arrumar a casa, estudar e deixar tudo preparado para recomeçar a rotina, na segunda-feira.
“Fiz muitos amigos em Fortaleza, muitos mesmo, mas não tenho tempo para sair”, diz. “Estudo mais do que meus colegas de faculdade, me esforço em dobro para recuperar tudo aquilo que não aprendi no ensino médio.”

Choque de realidade

Se tem lições de Ciências Biomédicas na faculdade, no hospital Manoel tem lições de vida. “Quando algum paciente morre é muito duro. E já foram tantos…”, diz. “Mas continuo me emocionando com eles, esse lado humano a gente nunca perde. Assim como continuo admirando muito as enfermeiras, o trabalho delas não é reconhecido como deveria.”
Um caso que tocou especialmente Manoel foi o de um menino de 11 anos, que lutou muito tempo contra um câncer nos ossos. “Os pais deles eram europeus e moravam fora. Ele vivia em Fortaleza, só com a avó. Foi a luta mais incrível que eu já vi”, conta. “De repente o menino melhorou, começou a conversar mais com a gente. Aí um dia de manhã o pessoal chegou para trabalhar e ele tinha morrido. Pegou todo mundo de surpresa, ninguém queria aceitar. Chorei muito. Ele foi um guerreiro mesmo, que Deus o tenha.”

Goodbye, Fortaleza

Manoel agora está de mudança. Conseguiu transferência para o Centro Universitário Santa Maria, em Cajazeiras, e vai começar lá o quarto semestre, em agosto. Curiosamente, na cidade, localizada no interior da Paraíba, Manoel vai ficar mais perto da mãe: Cajazeiras está a apenas 76 quilômetros de Icó.
“Estou muito feliz com a minha vida, é uma loucura, me estimula a sempre querer mais e mais. Gostei de estudar em Fortaleza, mas tinha algumas coisas chatas na faculdade. Os bolsistas do ProUni sempre ficavam em segundo plano. O pessoal parecia dar mais atenção aos alunos que pagam. Éramos os últimos em tudo, até para tirar carteirinha de estudante”, conta Manoel. “Tem algumas vantagens em Cajazeiras, além da proximidade com Icó. A prefeitura oferece um ônibus universitário gratuito – gasto muito dinheiro com transporte em Fortaleza. Vou estudar à noite e procurar trabalho em algum hospital durante o dia.”

“Não digo ‘eu posso’; digo ‘eu vou’”

O principal motivo da mudança, porém, é conseguir conciliar estudo e trabalho numa dinâmica diária mais light. “Percebi que estava numa rotina muito pesada, que poderia atrapalhar meus planos para o futuro. Preciso muito estudar inglês, mas não estava sobrando tempo.”
E por que estudar inglês? Porque Manoel não se faz de rogado. “Quero ir para a Inglaterra pelo Ciência Sem Fronteiras. E vou fazer mestrado e doutorado. Não digo ‘eu posso’; digo ‘eu vou’”, garante. “Quero fazer pesquisa em Genética e Biologia Molecular e também ser professor, ajudar outras pessoas. Vou trabalhar aqui no Nordeste mesmo, de preferência no interior, que é o lugar que mais precisa e não tem nada – a não ser um povo muito batalhador.”

Superstar em Moema

No fim de abril, Manoel visitou a sede da Geekie, em Moema, São Paulo. Foi a oportunidade que os geekies tiveram de conhecer pessoalmente o menino que tinha gravado em vídeo um depoimento emocionante sobre o Geekie Games. Recebeu tratamento de superstar e deu uma espécie de entrevista coletiva para os funcionários. Um dos fãs mais persistentes foi o sócio fundador da Geekie Eduardo Bontempo, que não sossegou enquanto não tirou várias selfies com o garoto.
“O trabalho que vocês fazem é incrível. Continuem assim, muita gente depende de vocês”, disse Manoel no fim da visita. E você, Manoel, continue nos enchendo de orgulho. #Tamojunto, rapaz!

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