Programação e juventudes: a fórmula do sucesso da Escola 42 que chega ao Brasil em julho de 2019

O projeto francês de escola de programação terá unidade no Brasil. Cursos gratuitos serão para jovens entre 18 e 30 anos e a expectativa da aceleradora é de formar anualmente em torno de 1350 profissionais

Já não é mais novidade para ninguém no campo da educação contemporânea o fato de que programação é a palavra de ordem. Ela é uma espécie de ponto inexorável para onde deveríamos caminhar no sentido de oferecer uma educação alinhada com os inúmeros desafios e oportunidades do novo milênio. Notadamente, aliás, digital.

Pensando nesse contexto absolutamente fecundo e com altíssima demanda por novos talentos, o magnata francês Xavier Niel – dono do jornal Le Monde e entusiasta da tecnologia – criou a Escola 42. Prepare-se para ficar encantado(a) com o que essa instituição de ensino da terra de Pascal e Molière é capaz de propor ao cenário da formação tecnológica de alto nível!

O DNA da Escola 42

O nome faz clara referência ao “Mochileiro das Galáxias”. Entendedores entenderão!

Mas a irreverência não para por aí. Os jovens que lá estudam vêm de todas as partes da França, pertencentes à diferentes classes sociais e carregando variadas histórias de vida. Muitos deles sequer terminaram o ensino médio. O que todos têm em comum: idades entre 18 e 30 anos  – segmento etário ideal, segundo os criadores da Escola 42, para se aprender programação -, passaram por uma rigorosa peneira seletiva e são percebidos como pessoas “nascidas para o código”, após bateria de testagens preliminares envolvendo memória e lógica que comprovam essa tese.

Uma vez na Escola 42, esses jovens recebem uma formação gratuita, sem professores, livros ou diplomas, altamente gamificada e modular que lhes garante um futuro profissional amplo e atrativo.  Para se ter uma ideia, nenhum jovem formado na Escola 42 francesa passa mais de dois meses sem trabalho. Estamos falando de contratações temporárias, obras certas, projetos na indústria criativa e na área de tecnologia, até mesmo empregos formais de tempo integral no disputadíssimo GAFA (Google, Amazon, Facebook e Apple). Nada mal, concordam? Mas egressos da escola concordam que se o aluno não tiver capacidade de lidar com críticas e trabalhar em grupo, muito do que se aprende por lá ficaria comprometido.

Construção do conhecimento em programação  

A progressão de aprendizagem é prevista para 21 módulos de conteúdo. O número não é ao acaso: metade de 42! Cada módulo propõe algum tipo de problema a ser resolvido: a criação de um aplicativo com o cronograma da escola, por exemplo, aumentando em complexidade. O trabalho cooperativo é estimulado ao extremo e o desenvolvimento do conhecimento e das habilidades pessoais vai acontecendo como numa espiral. Se um módulo não foi bem assimilado, pode ser feito novamente, sem prejuízo. A filosofia da Escola 42 é que os alunos encontrem as soluções para os desafios propostos na web e saibam analisar, classificar e filtrar o que encontrarem pela frente, descobrindo o que serve e o que não serve para o contexto em estudo. Muitos dos casos destrinchados são problemas concretos trazidos por empresas no campo tecnológico. Durante a progressão de aprendizagem, os estudantes ganham títulos de senhor(a) doutor(a), excelentíssimo(a), etc., como acontece em alguns jogos de videogame. Os exercícios são corrigidos pelos próprios aprendizes e o erro é acolhido como parte do processo. Significa, sobretudo que houve perseverança e que algo novo foi tentado, ainda que sem sucesso inicial.

E o Brasil com isso??

Bem, deixei uma ótima notícia para o final: a Escola 42 terá uma unidade no Rio de Janeiro. Pois é, caros(a) mochileiros(as)! Será sediada na Fábrica de Startups e oferecerá os primeiros cursos gratuitos a partir de julho de 2019. No primeiro semestre do ano acontecem as inscrições e seleções dos participantes. Serão inicialmente 450 vagas para jovens entre 18 e 30 anos e a previsão é que no futuro a aceleradora forme anualmente em torno de 1350 profissionais.

Existem planos para que uma segunda unidade seja aberta no Brasil, mais exatamente em São Paulo. A relação entre empresas e a Escola 42 será fortemente estimulada, assim como o espírito empreendedor para que os formados por lá saiam com ímpeto e conhecimento suficientes para abrirem suas próprias startups.

A julgar pelo tanto que o Brasil precisa de inovação para crescer de maneira sólida e consistente, além do fato da programação ser a chave para a navegação pelo novo milênio, essas escolas têm tudo para decolar e conquistar galáxias de aprendizagem tão, tão distantes daqui!

P.S- Pena que já passei dos trinta.

*DEBORA GARCIA É PEDAGOGA, MESTRE EM EDUCAÇÃO PELA UFF, FULBRIGHT SCHOLAR PELA GEORGIA STATE UNIVERSITY, GA, E ESPECIALISTA EM GESTÃO DO CONHECIMENTO PELA COPPE-UFRJ. É GERENTE DE CONTEÚDO DO CANAL FUTURA E UMA DAS AUTORAS DO LIVRO “DESTINO: EDUCAÇÃO – ESCOLAS INOVADORAS”, PUBLICADO PELA FUNDAÇÃO SANTILLANA/ED. MODERNA. EM 2017, EM CONJUNTO COM DANIELA KOPSCH E DANIELA BELMIRO, IDEALIZOU E CRIOU O BLOG “3DEVI”, UM ESPAÇO PARA CONTOS, ENSAIOS E REFLEXÕES DA MULHER CONTEMPORÂNEA.

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