Ensino híbrido: como ir além da tecnologia pela tecnologia

Frequentemente colocadas em lados opostos, as aulas tradicionais e a tecnologia têm um meio-termo, o ensino híbrido, que mistura conteúdos convencionais e aprendizado online.

Mas esse conceito nem sempre é colocado em prática da forma como deveria. Na ânsia de modernizar a sala de aula, algumas escolas investem na compra de lousas eletrônicas, de tablets e laptops antes de decidir o que fazer com esse aparato.

“A última coisa a escolher é o aparelho”, disse o superintendente do distrito escolar de Miami Dade (EUA), Alberto Carvalho, em texto publicado pelo Portal Porvir no mês passado. “Alguns distritos tentam implementar tecnologia em suas escolas começando pela escolha do aparelho. Muitos, por exemplo, distribuem tablets para as escolas antes mesmo de se perguntar o que será ensinado com aquele aparelho, quantas vezes vai ser usado, se há conexão suficiente.” Carvalho faz esse alerta, mas está longe de ser um crítico da tecnologia. As escolas de ensino híbrido estão entre as estrelas da rede de Miami Dade, que passou de um índice de conclusão do ensino médio inferior a 50% em 2008 para uma taxa de 76% em 2012.

A conexão ruim mencionada por Carvalho foi citada pela revista Exame, em reportagem publicada no mês passado, como um dos fatores que pode prejudicar programas de distribuição de equipamentos como tablets. A reportagem cita um estudo do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) sobre introdução de tecnologia em escolas da América Latina, Índia e China. Segundo o BID, alunos que receberam apenas equipamentos tiveram melhoria de 4% nas notas em línguas e matemática. Os resultados mais significativos, com 17% de melhoria nas notas, vieram dos projetos de aprendizagem personalizada, que, na definição da Exame, “forneciam softwares usados para identificar, por meio de testes, em quais tópicos da matéria cada estudante teve mais dificuldade e ofereciam conteúdos para superar as deficiências, como videoaulas”.

ENSINO HÍBRIDO COMO ALIADO DO PROFESSOR

Eventuais falhas de conexão ou erros na escolha de equipamentos são agravados pela resistência de professores a projetos de ensino híbrido. Com a oferta abundante de conhecimento (e, mais especificamente, de material educativo) na internet, o educador deixou de ser a referência única de conteúdo para os alunos. Alguns professores resistem a aceitar essa situação, a abrir mão do status de “donos” do conteúdo. Além de ir na contramão das práticas educativas modernas, essa postura tem resultado duvidoso. Afinal, como controlar o que os estudantes acessam fora de casa e longe dos olhos do professor?

Outros educadores encaram a tecnologia como aliada no processo de ensino. Estimulam e em alguns casos até obrigam seus alunos a buscar na internet conhecimentos complementares aos dados em sala de aula. A interação com o computador pode ocorrer em casa ou na própria sala, na escola. Alguns professores vão além e orientam os alunos a tomar contato com o conteúdo em casa para depois debatê-lo em classe, modalidade de ensino híbrido conhecida como sala de aula invertida, inspirada no modelo dos MBAs. Isso só ocorre, porém, em escolas cuja direção tem uma definição clara do conceito de inovação.

Leia mais: O que é ensino híbrido na teoria e na prática

Assista: Debate online promovido pela Geekie e Fundação Lemann discute ensino híbrido

Um caso interessante de adoção do ensino híbrido nos Estados Unidos é o da Summit San Jose, que faz parte de uma rede de escolas públicas inovadoras. A publicação “Blended Learning, Innovation, and Year 2 at Summit Public Schools” (“Ensino Híbrido, Inovação e o Ano 2 nas Escolas Públicas Summit”) faz um estudo de caso que sustenta que a San Jose não se limitou a adotar um modelo de ensino híbrido, mas criou um processo rigoroso de inovação para aperfeiçoá-lo continuamente. Ou seja, inovou sem pirotecnia.

“Ao priorizar um processo deliberado de mudança, a Summit usou o retorno de professores, dados de estudantes, feedback e um processo contínuo de reflexão para aproximar o programa da visão global da escola”, diz o texto. Em outro trecho a publicação afirma: “O movimento da Summit em favor da inovação deu certo porque todas as partes interessadas da comunidade escolar – de líderes da rede a diretores, passando por professores, estudantes e famílias – de alguma forma deram sua opinião e estiveram envolvidas na tomada de decisão.”

Conheça: 3 casos de escolas que colocaram o ensino híbrido em prática

Com o apoio da comunidade, a Summit San Jose pôde se dar ao luxo de inovar em grande escala. Os 200 estudantes do 9.º e 10.º anos (este último equivale ao 1.º ano do ensino médio) estudam matemática duas horas por dia em um esquema de rotação. Enquanto 100 alunos ficam em uma sala grande, sentados em sofás com laptops ou reunidos em rodinhas discutindo a solução de problemas, em quatro salas contíguas grupos de cerca de 25 estudantes trabalham em projetos ou assistem aos professores explicarem conceitos chave da matemática. Depois os alunos se revezam.

“É um mix de estudo auto-orientado, ensino por projeto e tarefas em grupo que garantiu à Summit reconhecimento nacional no campo emergente do ensino híbrido”, sustenta o estudo de caso. Deu certo, sem pirotecnia.

O Ensino Híbrido não é uma realidade apenas para outros países! Conheça uma escola brasileira que já está aplicando o conceito na prática:
http://www.colmagno.com.br/Telas_Magno/noticias2015/hoje_medio_1603.asp

Veja o texto do estudo de caso na íntegra (em inglês) http://nextgenlearning.org/sites/default/files/supportingdocs/Blended_Learning_Innovation.pdf

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Veja no Portal Veduca curso de ensino híbrido para professores produzido pela Fundação Lemann e pelo Instituto Península
http://info.geekie.com.br/lemann-cria-curso-de-ensino-hibrido-para-professores/



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