Pensamento crítico e científico: o trabalho com visões plurais e contextualização em aula

Uma das competências da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o pensamento crítico e científico é desenvolvido para ampliar horizontes dos estudantes. A capacidade de lançar um olhar crítico e contextualizado é fundamental para entender o papel de cidadão e profissional

Tornar o papel do aluno e da aluna mais ativo em relação ao seu conhecimento e visão de mundo. Esse é um dos benefícios do desenvolvimento do pensamento crítico e científico ao longo da Educação Básica, uma das competências gerais estipuladas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

Apesar da atualidade do tema, o trabalho com notícias, vídeos, imagens e experimentos não é novidade na escola. Afinal,  jornais e notícias fazem parte do cotidiano de todas as pessoas. Desta forma, há muito tempo que disciplinas como Língua Portuguesa, História e Ciências se apropriam das informações da imprensa e da internet para trabalhar a contextualização em sala de aula. Esse trabalho, além de apresentar pontos de vista diferentes aos estudantes, também torna a aprendizagem mais significativa por aproximar fatos históricos, informações científicas e acontecimentos do cotidiano da realidade dos discentes.

Segundo a consultora pedagógica da Geekie, Juliana Magalhães, apesar da importância do conhecimento prévio de estudantes, parte do trabalho do professor é oferecer uma visão mais plural para os alunos e alunas. É preciso, no entanto, uma ponderação sobre o nível desse conhecimento para uma personalização do processo de ensino e aprendizagem. “Sabemos que o pensamento crítico é desenvolvido em vários contextos, mas a escola tem um papel fundamental no exercício desse pensamento crítico, respeitando sempre o grau de maturidade desse aluno”, ressalta Juliana que também atuou como professora de História por 10 anos.

O papel da contextualização

Parte do trabalho de desenvolvimento do pensamento crítico – e também de outras competências -, é contextualizar o aprendizado dos estudantes com sua realidade. Em diferentes disciplinas, contextualizar é traçar um paralelo entre os acontecimentos e fatos que rodeiam a vida do aluno e da aluna com o conteúdo e atividades planejadas para a aula.

O professor de Literatura e Educação Digital do colégio AZ Bilíngue, Marcello Franceschi, conta que seus alunos se sentem mais confortáveis em atividades que são complementadas com diferentes tipos de recursos audiovisuais. Até textos e obras literárias do século XVIII, por exemplo, podem ser usadas para fazer relações com o que os estudantes vivem na atualidade. “Podemos fazer algumas relações diretas com temas filosóficos e políticos, de pensamentos críticos relacionados com o mundo de hoje que estão em voga na mídia“, complementa o professor.

Nas aulas de história a questão é ainda mais latente. Juliana comenta que o pensamento crítico dos alunos e alunas é importante para as ponderações necessárias sobre a contextualização de informações. Segundo ela, os discentes precisam entender que qualquer informação, retirada de seu contexto, é passível de interpretações dúbias. O professor e a professora têm, portanto, o papel de desenvolver habilidades nos estudantes para que eles possam considerar os diferentes ângulos e interpretações possíveis.

Saiba mais: Educação Digital é papel da escola?

Pensamento científico e ensino investigativo

Na área de Ciências as preocupações são as mesmas, mas trabalhadas com uma modalidade de ensino diferente: o ensino investigativo. Segundo a editora e autora de Ciências e Biologia do Geekie One, Marília Munhoz, essa modalidade permite que estudantes reflitam sobre problemas e questões com base em dados e evidências.

“A condição para isso é terem, por exemplo, coleta de dados, análise e interpretação desses dados, além da formulação e da comunicação das conclusões que os estudantes tiveram com base neles. Todas as etapas do ensino investigativo têm a reflexão e a comunicação que exigem do aluno uma postura ativa o tempo todo“, explica a autora.

Um caso prático de aplicação do ensino investigativo é a questão da mamografia, exame usado para diagnosticar câncer de mama. Com a quantidade de informações disponíveis na internet, uma aluna pode se deparar com pontos de vista divergentes sobre a idade ideal para iniciar esses exames. Algumas das informações podem não ser condizentes com orientações médicas e outras partem de pontos de vista pessoais da autora ou autor do artigo. Aliado à isso, ainda há o conhecimento que a estudante tem sobre o assunto. “Quando a aluna se depara com essas informações e quando ela tem a ideia de que a ciência dá apenas respostas fixas e prontas, ela fica confusa. No caso da mamografia, por exemplo, os alunos poderiam ver várias opiniões e evidências diferentes para refletir e construir uma opinião própria”, exemplifica Marília.

Estes foram os temas debatidos no bate-papo on-line realizado pela Geekie, no dia 14 de março. Eles também abordaram como a disciplina de Educação Digital, da Geekie, colabora com essa atividade por meio de uma linguagem e temas mais adequados e recursos audiovisuais que fazem parte do cotidiano de estudantes. Segundo Marcello, a disciplina impacta a postura dos alunos em outras disciplinas por se tornarem mais ativos e reflexivos no processo de ensino e aprendizagem.

Você pode assistir ao bate-papo, na íntegra, aqui:

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