Design thinking na educação: aulas mais criativas

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Design thinking na educação - professores em formação usando a metodologia na prática - Geekie

A metodologia do design thinking na educação auxilia a criação, estruturação e validação de ideias. Ele é um processo estruturado que parte da empatia para a geração de soluções possíveis para problemas identificados por educadores(as) em conjunto com estudantes. Por isso, saiba como usar esse método para aulas mais ativas e colaborativas.

A abordagem do design thinking é muito utilizada para orientar processos reflexivos e criativos. Assim, eles estimulam uma melhor compreensão das oportunidades e direcionam a elaboração de soluções assertivas, por meio da investigação em busca da causa de um problema. 

Desse modo, um dos principais benefícios da utilização do design thinking consiste em seu processo estruturado de expansão e afunilamento da compreensão sobre um determinado tópico. O resultado é um movimento cognitivo de abertura para explorar novas possibilidades acerca do que está sendo analisado (por exemplo, um problema).

Em seguida, após o momento de abertura, fazemos o momento inverso de fechamento para definir ou escolher uma solução. Esse processo ajuda a identificar a causa central do problema, fazendo dele uma ótima oportunidade para aprender. Assim, a abordagem do design thinking enfoca o processo de busca por uma solução, e não apenas a solução em si.

Entendendo o design thinking na educação

No contexto escolar, isso significa incentivar uma cultura de pensamento. Isso porque diversas oportunidades são criadas para que se possa desenvolver o conhecimento, a comunicação, a cooperação, o protagonismo e o pensamento científico, crítico e criativo diante das situações de aprendizagem colaborativa. Dessa forma, você pode pensar no design thinking como uma nova maneira de pensar

As etapas do design thinking: descoberta, ideação e experimentação que abrangem os processos de empatia, definição, ideação, prototipação e validação
O processo de análise do problema/da oportunidade e de sua solução é visualmente ilustrado por figuras que se assemelham a diamantes, para demonstrar o movimento proposto de abertura e fechamento. Por isso, a dinâmica utilizada no design thinking é conhecida popularmente como “duplo diamante”.

A metodologia criada por Tim Brown, do escritório de design IDEO, nos Estados Unidos, inspira a disciplina eletiva “Criatividade e Inovação” do Geekie One, que faz parte dos itinerários formativos da Reforma do Ensino Médio.

A importância da cultura de pensamento nas salas de aula

Explorar nossas formas de pensar nos ajuda a olhar para os problemas, e até para os erros, de modo positivo ou negativo. De acordo com pesquisas de Carol Dweck, professora de Psicologia da Universidade de Stanford, adquirir uma mentalidade de crescimento (growth mindset) nos leva a entender que a mudança é possível. Isso permite que as nossas habilidades estejam em constante evolução. E em relação ao design thinking, o processo de aprendizagem também é contínuo. 

Desse modo, criar uma cultura de pensamento em nossas salas de aula é fundamental para a aprendizagem crescer e florescer. Para isso, precisamos elaborar oportunidades significativas para nutrir o pensamento científico, crítico e criativo dos e das aprendentes. Mais do que nunca, estudantes precisam ser criativos(as) para ter sucesso no mercado de trabalho atual. 

O Fórum Econômico Mundial (GRAY, 2016), por exemplo, aponta a criatividade como uma das três habilidades mais importantes para trabalhadores hoje. Com a constante evolução de novos produtos, novas tecnologias e novas formas de trabalho, estudantes precisarão invocar o poder de sua criatividade à medida que a tecnologia transforma a maneira como nós vivemos. 

O que significa ser “aprendente”?
De acordo com José Pacheco (2013), um aprendente não é limitado a reproduzir respostas prontas, mas, em vez disso, esforçar-se para adquirir conhecimentos que os permitam se envolverem como cidadãos de um mundo em constante transformação por meio de um pensamento virtuoso e não por recuperação e reprodução da informação (PACHECO; PACHECO, 2013).

 

A maneira diferente de pensar do design thinking na educação

Portanto, quando aplicamos o design thinking, criamos a expectativa de fazer a diferença na aprendizagem de nossos(as) estudantes, em um processo intencional para encontrar soluções novas e criativas que criam impacto positivo. O design thinking busca a resolução de problemas complexos de forma mais simples, propondo uma maneira diferente de pensar, baseada nos valores de empatia, colaboração e experimentação.

Empatia: uma forma de se conectar com as necessidades dos e das estudantes

Centrado no ser humano, o design thinking nos ajuda a desenvolver uma profunda empatia e o entendimento das necessidades e motivações do(a) outro(a). Dessa forma, a análise inicial por meio do mapa de empatia ajuda a aprofundar um entendimento das necessidades e motivações de nossos(as) estudantes e a olhar para elas sob outra perspectiva e sem julgamentos. 

Se feito com sinceridade, esse exercício de se conectar com a necessidade do(a) outro(a) pode ser transformadora na vida de um(a) professor(a). Afinal, ele nos permite observar e sentir as coisas por um ângulo diferente, ao qual não estamos acostumados.

Colaboração: um dos caminhos para a criatividade e a aprendizagem visível

O design thinking cria oportunidades significativas para desenvolvermos nossos relacionamentos interpessoais, trabalhando colaborativamente. Isso porque, nos trabalhos em equipe e atividades com toda a sala, ele incentiva a troca de pensamentos, a discussão de ideias e o desenvolvimento da criatividade do grupo como um todo. 

Além disso, também nos estimula a considerar as múltiplas perspectivas, tornando a nossa aprendizagem mais visível. Afinal, muitas mentes brilhantes são sempre mais poderosas que uma só, quando se trata de resolver os problemas com eficiência e despertar a criatividade.

Então, quando convidamos aprendentes a compartilhar suas diferentes ideias e opiniões por meio de nossas interações, nós nutrimos indivíduos mais confiantes e motivados (RITCHHART, 2015).

Experimentação: a importância do erro no processo de aprendizagem

Focar no processo de aprendizagem nos dá a flexibilidade de errar e aprender com nossos erros, reforçando a importância de buscar sempre a evolução e a melhoria contínua. Assim, nosso aprendizado nunca acaba, é um processo que está em constante evolução. Além do mais, quando recebemos o feedback de outras pessoas, ganhamos várias oportunidades de repensar nossas ideias e torná-las cada vez melhores. 

Ao dar feedback construtivo, portanto, suportamos fortemente que criar culturas de pensamento é possível quando todos os envolvidos – docentes e discentes – participam e colaboram ao longo do processo de aprendizagem.

Assista ao bate-papo on-line sobre a proposta do Geekie One para a Reforma do Ensino Médio

Passo a passo do design thinking para sua aula

O design thinking desperta a criatividade, pois novas formas de pensar e diferentes ideias são desenvolvidas por meio de um processo estruturado, focado na descoberta, na ideação e na experimentação

As etapas do design thinking: descoberta, ideação e experimentação que abrangem os processos de empatia, definição, ideação, prototipação e validação com detalhes de cada etapa
Descrições de cada etapa do design thinking

1. O exercício de empatia

O design thinking começa com um exercício profundo de empatia para o entendimento das necessidades e motivações das pessoasestudantes, professores(as), famílias, coordenação, gestão – que fazem parte da comunidade escolar. Dessa forma, a análise inicial, suportada pelo mapa de empatia, nos ajuda a aprofundar o entendimento das necessidades e motivações dessas pessoas. Além disso, possibilita observar e sentir emoções, pontos de vista, reações e ações por um novo ângulo, sem julgamentos. 

2. Especificar a origem do problema

Com base nas reflexões do mapa de empatia, a próxima etapa ajuda a especificar a origem do problema em questão e a definir a principal oportunidade. Desse modo, ela orienta os processos reflexivos e criativos, estimulando uma melhor compreensão sobre como transformar um desafio em uma oportunidade que direcionará a criação de soluções viáveis. 

Por esse motivo, o uso da pergunta facilitadora Como poderíamos…? ajuda a desenvolver nossas elaborações (RITCHHART, 2015). Assim, um exemplo de “Como poderíamos” no contexto escolar seria: 

Como poderíamos aumentar o engajamento das famílias nas discussões pedagógicas da escola?” 

Ao terminar de escrever as questões, separe-as por temas ou afinidades (anote uma questão escrita por Post-it). Em seguida, observando cada agrupamento, defina qual será o próximo ponto a ser solucionado. Para direcionar o trabalho, use algumas das questões já produzidas ou escreva uma nova que reflita a ideia central escolhida.

Importante! O que são as perguntas facilitadoras? 

As perguntas facilitadoras são técnicas específicas de questionamento para desenvolver argumentos e elaborações. 

Exemplos de questionamento facilitador:
a. O que te faz pensar isso?
b. Você poderia elaborar mais?
c. Você poderia explicar seu raciocínio?

3. Gerar ideias para as possíveis soluções

A reflexão e a criatividade são praticadas e aplicadas à criação de soluções que respondem às questões definidas na etapa anterior. Assim sendo, é o momento de colocar toda a criatividade à tona: geração de ideais que podem servir como soluções (ideação)

Para criar um ambiente seguro, é importante não julgar ou analisar a sua própria ideia ou as ideias dos(as) outros(as), mas sim deixá-las fluírem. Além disso, ao escrever as suas ideias (uma ideia por Post-it), procure ser o mais específico possível, evitando hipóteses ainda abstratas. 

Dessa maneira, uma possível ideia para a pergunta levantada na etapa anterior seria:

 Comunicação por e-mail e estudantes convidando suas famílias para participar da reunião pedagógica que será em parte apresentada por elas.” 

O próximo passo consiste em agrupar as diferentes ideias por categorias semelhantes (por afinidade), a fim de tornar visíveis as soluções mais apropriadas e relevantes à realidade atual da escola. Cada categoria gerada deve ser nomeada.

Por fim, escolha com seu grupo uma ou mais categoria(s) para prototipar. É possível escolher mais de uma categoria, caso vocês desejem abranger mais problemas com a solução proposta.

4. Prototipar para tornar as ideias visíveis e tangíveis

Agora chegou o momento de construir a melhor versão possível da sua ideia (prototipação) para testar no ambiente escolar. É possível tangibilizar uma ideia de várias maneiras, porém, é importante escolher a forma que mais se adequa à solução desejada.

Os protótipos permitem que você apresente a sua ideia a outras pessoas. Portanto, esteja aberto a feedbacks e discuta de forma colaborativa sobre como evoluir a solução (consulte o site Design Thinking para Educadores, para obter exemplos de como prototipar). 

Ao terminar a etapa de prototipação, queremos validar a experiência das pessoas diante do protótipo que foi construído. Nesse sentido, queremos entender como a pessoa se sente, descobrir quais benefícios ou problemas ela percebe e de que maneira a experiência potencializa o seu aprendizado. 

Leia também: Sua escola já se adaptou ao  Novo Ensino Médio?

5. Validar, refletir e iterar

A validação é muito mais focada na pessoa e em sua experiência de uso do que na solução. Assim, após testar o protótipo, é importante refletir sobre como a experiência impactou o processo de aprendizagem.

Por exemplo, você pode pedir o feedback da pessoa que passou pelo processo de validação para entender melhor seus sentimentos durante a experiência, saber se ela percebeu algum benefício ou problema e de que forma ela achou que seu aprendizado foi aprimorado. 

Levando o feedback da pessoa em consideração, pergunte-se: “O que eu faria diferente?”. Lembre-se de que a iteração (repetição do processo) é uma oportunidade de ouvir feedbacks sobre o protótipo construído e, a partir disso, evoluir nossas soluções.

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Quais são os benefícios de usar design thinking na educação?

A metodologia do design thinking promove uma forma de pensar centrada na pessoa. Em relação à sala de aula, isso significa criar oportunidades de aprendizagem desafiadoras para que nossos(as) estudantes aprendam a se concentrar em seus próprios processos de pensamento e aprendizagem. Então, conectar-se com a necessidade do(a) estudante pode ser transformador na vida de um(a) professor(a).

Além disso, essa abordagem nos permite analisar uma mesma experiência sob uma perspectiva que não considerávamos. Assim, ao aplicar o design thinking à busca de soluções, criamos a expectativa de fazer a diferença na aprendizagem de nossos(as) estudantes, em um processo de busca por soluções novas e criativas que gerem impacto positivo.

Veja outros benefícios da metodologia para o processo de aprendizagem:

  • Promove uma cultura de inovação em nossas aulas; 
  • Desenvolve competências que estimulam o protagonismo e incentivam a reflexão e o aprimoramento contínuos da comunidade escolar
  • Possibilita novas vivências, formas de aprender e oportunidades de aprendizagem para todos. Portanto, uma cultura de pensamento, ou seja, uma comunidade de aprendizagem entre estudantes, professores, pais, coordenação e gestão é criada e valorizada; 
  • Finalmente, aprendentes aprendem as habilidades necessárias para lidar com os desafios e as transformações, inclusive tecnológicas, do mundo.
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Referências

DWECK, C. S. Mindset: A nova psicologia do sucesso. São Paulo: Objetiva, 2017.
Design Thinking para Educadores. Versão em Português: Instituto Educadigital. Disponível em: <https://www.dtparaeducadores.org.br/site/material/>
KNAPP, J.; ZERATSKY, J & KOWITZ, B. Sprint: O método usado no Google para testar e aplicar novas ideias em apenas cinco dias. São Paulo: Intrínseca, 2017.
PACHECO, José; PACHECO, Maria de Fátima. A escola da ponte sob múltiplos olhares: Palavras de educadores, alunos e pais. Brasil: Penso, 2013.
RITCHHART, R. Creating cultures of thinking: The 8 forces we must master to truly transform our schools. San Francisco, CA: Jossey-Bass, 2015.

* Claire Arcenas é apaixonada pela pesquisa realizada pelo Projeto Zero na Harvard Graduate School of Education (EUA). Ela integra-a ativamente em suas práticas de ensino, construindo, assim, uma cultura de pensamento que aprimora o ensino e o aprendizado. Além disso, ela lecionou internacionalmente por 17 anos, trabalhando e vivendo na Guatemala, Zâmbia e Brasil. Mais recentemente, foi professora da Graded American School de São Paulo. Durante seus 5 anos na Graded, ensinou educação física e educação em saúde.  É mestre em educação pela Framingham State College (EUA) e bacharel em educação pela Universidade de Toronto (Canadá). É também formada em artes em espanhol, em ciências e em educação física e educação em saúde pela Queen’s University em Kingston, Ontário (Canadá). Claire é uma Educadora da IB (International Baccalaureate) e, desde 2009, lidera e facilita workshops pedagógicos para o Primary Years Programme. Atualmente, ela trabalha como Designer pedagógica na Geekie.

Leia mais artigos e o e-book sobre práticas ativas escritos pela Claire:

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