Na abertura do Educo, secretário estadual de Educação de São Paulo destaca importância do protagonismo e da tecnologia na aprendizagem

Ao falar com gestores de escolas privadas, o responsável pela pasta, Rossieli Soares da Silva, destacou também a importância do desenvolvimento socioemocional com os estudantes

“Nossas escolas não podem se prestar para formar jovens só para o vestibular e para o Enem [Exame Nacional do Ensino Médio]. Os pais cobram isso, mas aqui a gente perde muito a batalha. Nós não podemos perder a condição humana e precisamos formar os jovens com as habilidades do século XXI para prepará-los para o futuro.”

Esta foi uma das visões que norteou a fala do secretário estadual de Educação, Rossieli Soares da Silva, no Congresso de Gestão Estratégica nas Escolas Privadas, o Educo Brasil 2019. O ocupante da pasta abriu o evento e o painel de debates “O futuro que nos aguarda”, a primeira parte da programação do congresso organizado pela Blue Ocean eventos.

Ao falar sobre o futuro da Educação, o secretário estadual começou apontando dados da rede estadual de ensino e destacou, entre vários levantamentos e rankings nacionais, os números sobre a evasão escolar. Segundo ele, quase 10% dos jovens entre 15 e 17 anos estão fora da escola e a evasão escolar pode gerar um custo de até R$ 17 bilhões por ano para a sociedade paulista.

Frente aos dados apresentados, Rossieli destacou aos gestores presentes no Educo a importância da reaproximação da educação com os estudantes e o desenvolvimento de aspectos socioemocionais. Um dos pontos destacados foi relacionado à Base Nacional Comum Curricular e o Novo Ensino Médio:

“Na construção da BNCC e na reforma do Ensino Médio, o protagonismo e autonomia para os estudantes é uma das coisas mais importantes que podemos fazer. A flexibilidade da educação é uma das formas de conectar com o protagonismo do jovem.”

Para reforçar a questão do protagonismo, Rossieli citou um diálogo que teve com responsáveis pela educação da Finlândia. Segundo ele, quando o atual secretário de São Paulo questionou sobre o sucesso da educação finlandesa, ele obteve como resposta dois exemplos sobre as prioridades daquele país e sobre como seus educadores desenvolvem a autonomia de seus alunos e alunas. “O primeiro grande raciocínio da Finlândia é o do avião. Ouvimos em viagens a mensagem: ‘Em caso de despressurização da cabine, máscaras de oxigênio cairão automaticamente. Coloque primeiro em si e depois no outro.’ Isso é uma filosofia por lá porque eles consideram que é preciso dar autonomia para as crianças para depois elas cuidarem da sociedade”, relatou.

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Sobre a prática dos professores, Rossielli comentou que eles ensinam as crianças pequenas a como fazer um sanduíche: “Eles questionam se a criança sabe fazer um sanduíche e o que deveria ter no lanche dela. Ao ensinar a como fazer o alimento, primeiro eles listam quais são os ingredientes desse lanche e depois listam os passos para fazer esse sanduíche. O ensinamento é que o aprendizado está desde cedo conectado à vida e é algo muito simples, mas o Brasil não faz isso com nossas crianças.”

A tecnologia na educação paulista

Sobre o tema geral do painel, “O futuro que nos aguarda”, o secretário estadual da Educação apresentou os pilares que devem nortear as políticas públicas do governo:

  1. Currículo paulista conectado às competências para o século XXI;
  2. Novo Ensino Médio;
  3. Ampliar e qualificar o uso da tecnologia com foco na aprendizagem.

Referente ao primeiro ponto, Rossieli deu peso às competências socioemocionais e destacou que a BNCC é o primeiro documento da Educação que coloca a questão como diretriz. O debate sobre o “projeto de vida” dos estudantes que a base deve incentivar, por exemplo, foi ligado pelo secretário à proposta do Novo Ensino Médio e as escolhas dos itinerários formativos pelos alunos e alunas deste nível de ensino.

Já sobre o uso da tecnologia na educação paulista, Rossieli destacou o potencial das ferramentas para personalização do ensino. Ele reforçou, porém, a necessidade da intencionalidade pedagógica e do preparo dos professores e professoras para o bom uso delas em sala de aula.

O uso da tecnologia para personalizar a aprendizagem é, para o secretário, olhar para a frente. Sobre o assunto, ele provocou: “A pergunta é: Nós estamos formando para quê? Se a resposta for formar para o que temos hoje, está errado. Nossos alunos não podem sair da escola sem saber o que é Big Data e o que é Inteligência Artificial. Estive em um evento da ONU há pouco tempo e soube que a China está ensinando inteligência artifical para os estudantes do 8º e 9º ano.”

As questões do vestibular e da universidade

Ainda no painel “O futuro que nos aguarda”, a fala do secretário estadual de educação foi seguida pela do fundador e conselheiro do Colégio Oswald de Andrade, Eugênio Cordaro. Ele fez coro com Rossieli sobre a questão do vestibular:

“Pais de alunos estão preocupados com os vestibulares e as notas do Enem, mas isso precisa ser derrubado. Se analisarmos os grandes vestibulares, a concorrência média é de 14 candidatos para uma vaga. Em Medicina é 2 mil para 1. Para as escolas que estão aqui [no Educo], essa parte não é difícil, os alunos podem fazer mais um ano de cursinho. Mas e quando esses alunos chegam no mercado de trabalho, eles têm as competências necessárias para se encaixar nesta vida profissional?”

O tema foi complementado pela vice-presidente acadêmica do Ibmec, Maira Habimorad, e pela fundadora do Grupo Companhia de Talentos, Sofia Esteves. Maira relatou as mudanças que o instituto tem feito para adequar o ensino às necessidades no mercado de trabalho:

“Reformulamos os currículos de todos os cursos e incluímos o que chamamos de 2 Ds: o Digital, ou Alfabetização Digital, porque o aluno chega muito potente para usar a tecnologia pessoalmente, mas não para o ambiente de trabalho; e Data, a Ciência de Dados, não só como estruturar e mapear dados, mas saber usar ferramentas para trabalhar com os dados.”

Sofia Esteves, por sua vez, reforçou a importância do desenvolvimento das habilidades socioemocionais, como havia antecipado em entrevista concedida ao InfoGeekie. Para ela, a escola e a universidade não estão conectadas com as cobranças que os jovens passam no mercado de trabalho:

“Enquanto o estudante está na escola e na universidade, todos os anos ele é promovido se passa de ano ou de um semestre para o outro ao ficar na média das notas. Na minha época a média era 7, hoje é 5 ou 6. Porém, quando o estudante chega no mercado de trabalho, ele precisa ser protagonista e top performer, mas ele nunca aprendeu a como ser assim antes.”

Esteves reforçou o argumento ao relatar que nos processos seletivos da Companha de Talentos com 1,3 milhão de candidatos para 6 mil vagas, muitas oportunidades de trabalho não foram preenchidas porque os candidatos não tinham as competências necessárias.

Confira a entrevista do InfoGeekie com Sofia Esteves e outras entrevistas do portal:

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