Viralizando conhecimento: os substantivos da vez, suas origens e significados

De onde veio o nome coronavírus? Por que o nome da doença é COVID-19? Por que não COVID-01? Os termos da vez despertam muita curiosidade e neste texto vamos detalhar origens e significados de alguns deles.

Para quem não é da área da saúde (como eu), algumas especificidades técnicas sobre nomenclaturas pode ser um desafio, mas se falamos de dar nomes às coisas, em parte você está falando de Linguagens, e isso pode despertar a curiosidade de quem é dessa área (como eu).

Talvez você não saiba, mas existe uma organização chamada Comitê Internacional de Taxonomia de Vírus (ICTV, na sigla em inglês), responsável por nomear oficialmente qualquer novo vírus descoberto. Um nome oficial é importante não somente para padronizar a forma como nos referimos a um vírus, mas também para evitar que sejam utilizados termos que podem parecer pejorativos e preconceituosos. Já pensou se as pessoas começassem a chamar de “vírus da China”? Haveria uma quantidade enorme de fake news sobre o país, mais ou menos o que aconteceu com porcos e vacas nas épocas da gripe suína e da doença da vaca louca, há alguns anos.

Foi esse comitê o responsável por nomear oficialmente o novo coronavírus, chamando-o SARS-CoV-2. A partir daí, foi criado o nome da doença, ligando-o ao ano em que foi descoberto: covid-19, algo como coronavírus identificado em 2019. Esses dois nomes foram dados em 5 de fevereiro, em uma reunião extra do comitê. Importante dizer que a Organização Mundial da Saúde (OMS) acompanha  e orienta o ICTV. 

De onde vem o nome “coronavírus”?

Antes de falar do termo em si, uma explicação: em latim, as palavras mudam sua função sintática de acordo com sua terminação, ou seja, dependendo da forma como a palavra termina, ela pode ser um sujeito ou um objeto direto, por exemplo. Isso ainda acontece com alguns pronomes em português. “Eu”, é sempre sujeito (Eu telefonei para ela); mas se você quiser colocar “eu” como objeto (*Ela telefonou para eu), é preciso mudá-lo (Ela telefonou para mim).

Agora de volta ao coronavírus: em latim, “corona” significa “a coroa”, usado sempre como sujeito (palavra da 1ª declinação, no caso nominativo). Se fosse para usar como objeto direto, por exemplo, deveria ser “coronam”. Esse termo foi dado ao vírus por causa do formato dele visto no microscópio, pois ele se parece com uma coroa.

De acordo com o Ministério da Saúde aqui do Brasil, “coronavírus é uma família de vírus que causam infecções respiratórias. […] Os primeiros coronavírus humanos foram isolados pela primeira vez em 1937. No entanto, foi em 1965 que o vírus foi descrito como coronavírus”. Ou seja, não existe nenhuma novidade nesse nome. A novidade está na espécie específica, conforme o que anunciou o ICTV, por isso novo coronavírus.

Epidemia e pandemia: origens e diferenças

O covid-19 começou como uma epidemia e depois se tornou uma pandemia, e nessas palavras também temos algumas curiosidades. A parte final de ambas é igual, “demia”, que vem do grego δῆμος, transliterado como “demos”, que significa “povo”. Esse termo aparece em palavras como “demografia”, por exemplo. A primeira parte das palavras também vêm do grego clássico: ἐπί, transliterado como “epi”, que significa “sobre ou acima de”; e πάν, transliterado como pan, que significa “todo”. Elas aparecem, respectivamente, em palavras como “epiderme” e “panorama”. Sendo assim, epidemia é algo sobre o povo, e pandemia é algo que toma o povo todo.

Enquanto era epidemia, significava que estava sobre nós, mas que não tinha tomado de conta de todos. Como pandemia, significa que todas as pessoas estão suscetíveis e precisam estar em quarentena, mais uma palavra que merece um destaque.

Quarentena e isolamento: um não é o outro

Quarentena, por sua vez, é um período de 40 dias, mas na infectologia refere-se a um período de reclusão de pessoas ou animais sadios que considera o tempo máximo de incubação de uma doença. Os primeiros períodos de quarentena na acepção infectológica que se tem registro remontam à China do século III, mas esse termo começou a ser usado no século XIV, em Veneza, na época da peste bubônica. Quando os navios aportavam, era imposto que ninguém poderia descer por 40 dias, tempo pelo qual se acreditava que a doença poderia ficar incubada, com o intuito de evitar a proliferação da doença.

Importante ressaltar: quarentena é feita com indivíduos sadios. Se a pessoa estiver doente, é necessário o isolamento, que separa um doente das outras pessoas durante o período em que ele pode transmitir a doença para outras pessoas. A palavra “isolamento” também vem do latim, insulae, que significa “ilha”, passando pelo francês “isolar”.

Por fim, foram tratadas aqui somente algumas curiosidades sobre essas nomenclaturas, algo que pode até ser interessante, mas nem de longe indispensável para o momento atual. O que importa é que você mantenha em prática as recomendações da OMS e do Ministério da Saúde, cuide da sua saúde e da sociedade. Mas não deixe de aprender.

* Érick Nascimento é Gerente editorial do Geekie One, formado em Letras pela UFC e tem mestrado em Literatura Comparada pela mesma instituição. Após anos de experiência na sala de aula, na qual atuou desde o Ensino Infantil até o Ensino Superior, tornou-se coordenador pedagógico-editorial em um sistema de ensino. 

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