Como o processo criativo mudou nosso olhar de educadoras para os desafios da escola

Por Elisangela Goulart e Vanessa Giron*

No início de 2015, nós estávamos diante do principal desafio de nossas vidas profissionais até então: planejar e implantar o serviço de Orientação Educacional e assumir a Coordenação do Ensino Médio em nossa escola, o que, inicialmente, não foi fácil. Nós precisávamos nos familiarizar com as nossas novas funções na escola e conhecer profundamente sua realidade, assim como os desafios que teríamos pela frente. No fim do primeiro semestre, passado esse momento de adaptação com a nossa nova condição, começaram a surgir as nossas reais demandas, entre elas a de ouvir as boas ideias dos alunos e de fazer com que essa contribuição se tornasse realidade na escola. O desafio, então, estava lançado: como fazer isso de forma sistemática e que trabalhasse o processo criativo dos alunos? Como tornar esse processo leve e dinâmico? Nesse momento, tiveram início as pesquisas para selecionar a melhor ferramenta para fazê-lo.

“Achamos que seria a abordagem ideal para desenvolver o que queríamos, pois com ela trabalharíamos a empatia e a comunicação assertiva em um processo de criação coletiva e participativa com os nossos alunos”.

Nessa busca, entramos em contato com a abordagem do Design Thinking para Educadores e achamos que seria a abordagem ideal para desenvolver o que queríamos. Com ela, trabalharíamos a empatia e a comunicação assertiva em um processo criativo coletivo e participativo com os nossos alunos. A partir desse contato com o Design Thinking, estruturamos o formato do “Prêmio Boas Ideias”, através do qual, por meio da abordagem do Design Thinking, um grupo de alunos, em conjunto, levantou um problema e propôs uma solução para ele.

O processo criativo dos post-its ao protótipo


No início do projeto, fizemos um brainstorming para que os alunos levantassem ideias para a escola (foto: arquivo pessoal)

Este projeto, vinculado à Orientação Educacional, com encontros semanais e duração de uma hora fora do horário de aula, contou com a participação de seis alunos e da Coordenação do Ensino Médio. Inspiradas, na sequência do Design Thinking, iniciamos o projeto com o levantamento dos sonhos – o que gostaríamos que existisse na escola – e dos pesadelos dos alunos – o que precisa ser melhorado – para chegar à descoberta do nosso desafio. Nesta etapa, chegamos à conclusão de que o nosso desafio seria realizar o sonho de ter uma área de convivência na escola.

O passo seguinte foi validar a nossa ideia, por meio de uma pesquisa quantitativa feita com os outros alunos da escola, a fim de saber se o nosso sonho era compartilhado pelos outros alunos. Na fase de interpretação dos questionários, ficou evidente que o sonho do grupo de ter uma área de convivência era o sonho de todos os alunos, o que possibilitou a ideação desse espaço por meio de um brainstorming para conceituar que tipo de espaço nós queríamos.

Nesse processo, chegamos a estes conceitos: “memória”, “recordações”, “conexão com o natural”, “movimento”, “união”, “arte”, “mente e corpo”. Após essa fase de construção da ideia do espaço de convivência, iniciamos a fase de prototipagem da nossa ideia, ou seja, de experimentá-la na prática. Estamos dedicadas a esta etapa no momento! Os alunos já estão separando os materiais disponíveis na escola e no entorno para montar o espaço, tais como pallets coloridos, plantas, trabalhos de arte feitos pelos alunos, cabideiros feitos com barbante para colocar livros e frases inspiradoras.

Quanto ao nosso olhar de educadoras, houve mudanças na capacidade de transformação dos problemas em desafios, uma vez que o processo criativo facilitou a compreensão dos problemas e a capacidade de solucioná-los.

Todo este processo criativo foi longo, mas trouxe mudanças perceptíveis e muito boas nos alunos, como um engajamento maior em todas as atividades escolares e uma noção maior de pertencimento à comunidade escolar, refletida pelo zelo por outros ambientes da escola, e não apenas pela a área de convivência. Quanto ao nosso olhar de educadoras, houve mudanças na capacidade de transformação dos problemas em desafios, uma vez que o Design Thinking facilitou a compreensão dos problemas e a capacidade de solucioná-los. Esta abordagem nos mostrou que é possível resolver problemas complexos de forma mais fácil do que imaginávamos.

Sabemos que cada escola tem uma realidade diferente e que possui seus próprios desafios, por isso recomendamos ao leitor experimentar o uso do Design Thinking, na resolução de problemas, e do Pensamento Visual, o Visual Thinking, para organizar ideias e comunicá-las de forma a tocar o público-alvo, com o objetivo de melhorar a qualidade de reuniões pedagógicas, encontros com alunos, reuniões da equipe de gestão escolar ou reuniões de planejamento. Além dessas vantagens, essas abordagens otimizam recursos humanos e financeiros, uma vez que, em menos tempo e de forma leve e agradável, somos capazes de encontrar soluções inovadoras e viáveis para os desafios escolares. E, o melhor de tudo, inovar dentro das possibilidades de cada escola não precisa ser caro. Falaremos no nosso próximo artigo dando dicas de quais materiais utilizar em diferentes situações do cotidiano escolar. Esperamos que você continue nos acompanhando!

* Elisangela Goulart e Vanessa Giron são colunistas do InfoGeekie. Elisangela é professora e geógrafa de formação, com MBA em educação cognitiva. Professora desde 2010 e Orientadora Educacional desde 2015 no Centro Estadual de Educação Tecnológica “Paula Souza”. Utiliza o Design Thinking e o Pensamento Visual nas suas práticas educacionais desde 2015. Entre em contato: emottagoulart@gmail.com

* Vanessa Giron é formada em Letras, português e grego clássico, e mestre em Letras Clássicas pela USP. Professora desde 2011 e Coordenadora de Ensino Médio desde 2015, no Centro Estadual de Educação Tecnológica “Paula Souza”. Utiliza o Design Thinking e o Pensamento Visual nas suas práticas educacionais desde 2015. Entre em contato: profvanessagiron@gmail.com

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