Filho de ex-catadora de lixo passa em 1º em escola federal

Thompson Vitor, de 15 anos, fez na terça-feira (24/3) a inscrição para o curso de Multimídia do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN). Estava orgulhoso por ter sido o primeiro colocado no exame de seleção do instituto. E mais ainda da sua história de vida. Filho de uma ex-catadora, Thompson tomou gosto pelos estudos graças aos livros que sua mãe pegava no lixo.

“Eu pegava os livros que os ricos jogavam no lixo e trazia pra casa. Eu dava pra eles aqueles livros bonitinhos e colocava eles pra estudarem. Aí eu incentivei eles a gostarem de livro”, disse ao portal Hypeness a mãe de Thompson, Rosângela da Silva Marinho, de 40 anos, que estudou apenas até a 5.ª série. O marido, que também só cursou o ensino fundamental, faz salgados para manter a família – o casal tem outros dois filhos.
Thompson não só tirou a nota mais alta no processo seletivo como também foi o melhor colocado na redação. “Só sei que não estudo por obrigação, estudo porque gosto. É o que falo pra todo mundo, estudar pra mim é como uma arte. E não tem muito segredo, tem que ter foco”, afirmou. Ao portal UOL, ele disse que não precisou se esforçar muito para ter um desempenho excepcional na prova do IFRN. “Até o ano passado estudava cinco horas por dia, mas ano passado estudei apenas duas. Sempre tive facilidade com aprendizado, gosto de ler.”
A família de Thompson mora na comunidade de Paço da Pátria, zona leste de Natal, em uma casa alugada por R$ 300. Mas o garoto foi criado na Favela da Maré, região com altos índices de violência e presença do tráfico de drogas. Durante o ensino fundamental, Thompson estudou como bolsista na Escola Freinet, uma das mais conhecidas de Natal. Acordava todos os dias às 5h30 e andava 6 quilômetros de bicicleta para chegar ao colégio. Sempre fez questão de se dedicar apenas à vida de estudante. “Eles querem que eu tenha um trabalho cedo. Eu sempre falo que eu preciso me dedicar aos estudos. Eu até ajudo minha mãe no trabalho dela, mas desde que não atrapalhe meus estudos”, contou, em entrevista ao portal G1.

Thompson Vitor e sua mãe. Arquivo pessoal/Hypeness

Thompson disse que quer, sim, ajudar os pais, mas com as conquistas que alcançar graças ao seu empenho como estudante. “Tenho muito orgulho dos meus pais. Sei o quanto eles sofreram para me criar. Não só a mim, mas também meus irmãos. Eles superaram as adversidades da vida, os problemas financeiros e abriram mão de seus momentos de prazer pra cuidar de todos nós com amor e zelo. Eu quero ser o orgulho da família.”
O garoto já fez planos para o futuro. Depois de concluir o curso de Multimídia, quer estudar na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. “Eu acredito que o mercado de trabalho hoje está muito restrito a pessoas com qualificação. No IFRN, conseguirei ao mesmo tempo estudar as disciplinas do ensino médio e me qualificar profissionalmente através do ensino técnico.”
Uma questão com a qual Thompson não precisa se preocupar é a de se tornar o orgulho da família. Isso ele já é, como seria de se esperar. “Sempre ouvi que filho de pobre só dá pra ser bandido.Quero mostrar pra sociedade que isso não é verdade, os meus não são bandidos e vão ser grandes. Nisso, sim, sempre tive fé”, afirma Rosângela.




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