Myriam Tricate (PEA-Unesco): “Queremos que nossas crianças e jovens sintam-se pertencentes a um mundo culturalmente diverso”

Coordenadora Nacional do Programa de Escolas Associadas à Unesco, Myriam Tricate, fala sobre o objetivo de formar cidadãos globais nas instituições do programa e a confiança que gestores e gestoras depositam na seleção de parceiros e expositores do Encontro Nacional, que acontece entre 11 e 13 de setembro de 2019, em Ouro Preto (MG)

Um polo de aprendizagem colaborativa conectado às demandas do desenvolvimento sustentável, à construção da cultura da paz e à formação de estudantes conscientes de seu papel como protagonistas de uma cidadania global. Estes são os princípios da Rede Programa de Escolas Associadas à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (PEA-Unesco) que promove seu Encontro Nacional entre os dias 11 e 13 de setembro, em Ouro Preto (MG).

Em entrevista ao InfoGeekie, Myriam Tricate, coordenadora nacional do programa, destaca que o trabalho das escolas do PEA-Unesco é pautado pela formação de uma futura geração consciente de seu papel e de suas decisões em benefício do planeta. “Não há nenhum desafio contemporâneo que não passe pela educação”, ressalta Tricate ao explicar a importância da aprendizagem pautada pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU). As ações promovidas e incentivas pela PEA-Unesco também são dialogam com a Agenda da Educação 2030 e as diretrizes temáticas determinadas pela Unesco.

Sobre o Encontro Nacional de 2019, a coordenadora revela que as inscrições de escolas associadas e futuras parceiras já superaram as vagas disponíveis. Segundo Tricate, este será um evento com grande presença internacional: “Sabine Detzel, nossa Coordenadora Internacional, já confirmou sua presença, bem como convidados de Angola, Cabo Verde, Espanha, Guiné Equatorial, Japão, Paraguai e Portugal”. O Geekie One, uma nova dinâmica pedagógica de iniciativa da Geekie, é patrocinador e estará presente com espaço próprio.

Confira a entrevista de Myriam Tricate ao InfoGeekie:

InfoGeekie: Qual é a importância das escolas associadas ao PEA para a conquista dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU? E como a rede apoia o desenvolvimento de projetos para este fim?

Myriam Tricate: A Rede PEA-UNESCO é, essencialmente, uma rede de escolas, ou seja, são instituições educativas que formam crianças e jovens de hoje, que serão os adultos da próxima década e tomarão decisões, pessoais e coletivas, fundamentais para o planeta. Não há nenhum desafio contemporâneo que não passe pela educação. Assim, trabalhar pela agenda das ODS (em especial pelos objetivos ligados à educação) implica, necessariamente, em preparar as novas gerações para enfrentar o desafio permanente de tornar este mundo um lugar mais justo, igual, sustentável e possível para os que vivem nele hoje e viverão no futuro.

InfoGeekie: Quanto à Agenda pela Educação 2030, também um dos objetivos de desenvolvimento do PEA-UNESCO, o documento de 2015 falava sobre garantir a “aprendizagem ao longo da vida para todos”. “Aprender a aprender” e “lifelong learning” são termos muito falados hoje em dia em eventos educacionais. Quais são as principais estratégias apoiadas pelo PEA e/ou observadas nas escolas associadas ao programa que nos deixam mais perto deste objetivo?

Tricate: Na matriz dos valores pedagógicos das escolas associadas estão os quatro pilares da educação do século XXI, que consubstanciam a condição humana de aprendizes permanentes. Aprender a conhecer (ao lado de aprender a ser, a conviver e a fazer) é, também, aprender a aprender permanentemente, ao longo de toda a vida, valorizar o saber e desenvolver o pensamento crítico e flexível. Todas as escolas associadas têm esses pilares entre seus principais referenciais e é para isso que trabalhamos.

InfoGeekie: Mara Custódio, diretora pedagógica do Colégio Passo Seguro, parceira da Geekie, comentou de forma muito positiva a confiança que diretoras e diretores têm no evento quanto à seleção de parceiros, produtos e empresas que expõem ao longo dos dias do Encontro Nacional. Você poderia comentar como essa confiança foi construída e quais são os critérios de seleção dos expositores que fundamentam essa visão tão positiva da Mara?

Tricate: Tudo o que fazemos na Rede PEA-Unesco é construído em bases de confiança. Por um lado, procuramos conhecer nossos parceiros e temos cuidados para aceitar os possíveis apoiadores. Por outro, temos de garantir que as escolas associadas terão sua privacidade preservada e não se sentirão em um ambiente de “feira” – o que absolutamente não queremos. Fruto desse cuidado é a possibilidade de ampliação da participação dos nossos parceiros, que não apenas vêm para expor produtos e serviços, como para atuar posteriormente como parceiros das escolas públicas, levando a essas redes possibilidades às quais dificilmente teriam acesso. Esse foi o caso da própria Geekie, por exemplo, que já permitiu o acesso às suas plataformas para escolas públicas de São Paulo em anos anteriores.

InfoGeekie: Já a Maura Bolfer, coordenadora geral do Colégio Uirapuru, também parceira da Geekie, menciona que um dos objetivos dos projetos criados a partir das diretrizes temáticas é pensar globalmente para agir de forma local e, na sequência, devolver essas ações em âmbito global. Qual é a importância dessa interação e dessa relação com o global dentro das diretrizes temáticas do PEA-Unesco? E para os estudantes, por que desenvolver um olhar alinhado com o global?

Tricate: Entre os eixos principais de trabalho das escolas associadas de todo o mundo está a construção de um conceito de cidadania global, que pode ser expressa assim, como foi citado. Ou seja, trabalhamos para o local com um olhar para o global. Mas, na verdade, vamos além: queremos que nossas crianças e jovens sintam-se pertencentes a um mundo culturalmente diverso, que utilizem as ferramentas da educação para aproximar-se do outro, entendê-lo e compreender que há causas verdadeiramente planetárias, como o da sustentabilidade. Como escolas da Unesco, precisamos formar cidadãos globais.

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InfoGeekie: Ainda sobre as diretrizes, este é o Ano Internacional das Línguas Indígenas para as escolas associadas ao Programa da UNESCO. Como tem sido a participação das instituições de ensino nesta temática e por que ela foi escolhido para 2019?

Tricate: Vemos um envolvimento muito grande, na verdade, quase total da rede em atenção a esse convite da Unesco. Tenho recebido semanalmente relatos e projetos que mostram o trabalho realizado em escolas de norte a sul do país, comprovando como a temática foi incorporada aos eventos, aos projetos e ao currículo das escolas. Ao mesmo tempo, como Coordenação Nacional, estamos trabalhando para viabilizar e ampliar, cada vez mais, a presença de escolas indígenas no programa. Já temos três escolas associadas e logo teremos mais, pois há outras três escolas indígenas entre as candidatas.

InfoGeekie: Por fim, quais são as expectativas para o Encontro Nacional de 2019 do PEA-Unesco? Sabemos que as escolas aguardam com ansiedade as novidades para o próximo ano. O que elas podem esperar de desafios e temas propostos para o próximo ano letivo?

Tricate: Ao mesmo tempo em que respondo às suas questões, estou aqui completamente envolvida com os últimos preparativos do Encontro Nacional. Tivemos de fechar as inscrições, em função do esgotamento das vagas, e ainda já abrimos outros 50 lugares, o que foi possível por rearranjos do espaço. Será um grande evento, com uma grande presença internacional. Sabine Detzel, nossa Coordenadora Internacional, já confirmou sua presença, bem como convidados de Angola, Cabo Verde, Espanha, Guiné Equatorial, Japão, Paraguai e Portugal. Todos vêm prestigiar o esforço que o Brasil está fazendo para construir uma rede grande, representativa, consistente. Sobre os temas para os próximos anos, ainda não temos o calendário da Unesco definido, mas já sabemos que nossos eixos centrais estão programaticamente definidos: cultura da paz, educação para a sustentabilidade e cidadania global, com foco total nas ODS, em especial aqueles ligados à educação, na Agenda 2030.

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