Enem de papel não faz mais sentido em um mundo digital

Veja artigo do diretor de Educação da Geekie, Renato Júdice, sobre a proposta do governo federal de adotar o Enem online. O texto foi publicado na versão digital da Folha de S. Paulo no dia 5 de março. 
A proposta do ministro da Educação Cid Gomes de criar uma prova online do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) segue uma tendência mundial.
Hoje nós vivemos em um mundo cada vez mais digital. Com isso, não faz sentido manter a logística monstruosa atualmente utilizada na maior parte dos processos de avaliação realizados no Brasil, os quais envolvem imprimir provas, organizar materiais de aplicação em malotes, distribuir, retornar material e processar cartões-resposta.
Transpor a aplicação do papel para o computador tem algumas vantagens: corte dos custos de impressão e distribuição das provas, redução do tempo necessário para a organização de uma avaliação, processamento mais rápido dos resultados e possibilidade de realizar a aplicação de forma agendada.
Além disso, a aplicação de provas utilizando o computador possibilita outros avanços, como por exemplo o uso de itens (questões) interativos e a adoção de testagem adaptativa (Computarized Adaptive Testing – CAT), em que a prova de cada aluno é construída de forma personalizada dependendo das respostas a cada questão. Com isso, tende-se a ter testes mais prazerosos, menores e mais precisos.
A implantação da prova no computador no Brasil deve provavelmente ocorrer em duas etapas. Na primeira etapa, haverá apenas uma transposição da aplicação do papel para o computador. Nesse caso, a prova continua sendo previamente elaborada, não adaptativa. Para a realização dessa primeira etapa ainda é preciso desenhar e construir a estrutura logística: centros aplicadores, sistemas, computadores, segurança.
Sim, segurança! A busca por fraudar os exames e avaliações ainda persistirá e deve ser pensada.
Numa segunda etapa, haverá a utilização de itens interativos e testagens adaptativas. Para a execução dessa etapa, será preciso investir na construção de um banco de itens robusto. O ministro estimou em 40 mil a 80 mil o número de itens necessário.
Duas mudanças culturais precisarão ainda ser vencidas. Em primeiro lugar, o aluno não poderá mais levar o caderno de provas para casa. Isso é ótimo porque possibilita a reutilização de questões, o que diminui os custos. Em outros países, como México e Estados Unidos, isso já ocorre. Por outro lado, os alunos e as escolas ainda não estão acostumados com essa cultura.
O segundo obstáculo é a necessidade de mudança na concepção de que só se pode selecionar candidatos que fizerem provas idênticas. A testagem adaptativa tem como princípio a construção de uma prova mais adequada para o nível de proficiência do avaliado. Nesse sentido, os candidatos terão provas diferentes, mas a medida será mais precisa.
É mais do que necessário investir em aplicações de provas no computador, sobretudo avançar em metodologias mais precisas de avaliação. Os resultados de exames e avaliações têm impactos significativos na vida de pessoas e na sociedade como um todo. Por isso, esses resultados precisam ser confiáveis. Garantir essa confiabilidade é um dos desafios no caso do Enem.




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