Debate propõe mais informação para derrubar barreiras à tecnologia na escola

Representantes de quatro startups apresentaram dados que comprovam eficiência de novas soluções; empresas estarão representadas em feira de educação que começa na quarta

A tecnologia na educação funciona. Faz sentido para alunos. Economiza o tempo precioso de professores e gestores. Tem baixo custo. Com todos esses benefícios, ela só não ampliou sua presença nas escolas por um motivo: falta informação. Mas o processo de modernização é irreversível. Em linhas gerais esses foram os pontos de consenso do debate online promovido hoje pela Geekie com representantes de quatro startups que se propõe a revolucionar o ensino no Brasil (veja aqui a íntegra do evento).
Participaram do evento o co-fundador da Geekie (www.geekie.com.br), Eduardo Bontempo; o criador do Redação Nota 1000 (www.redacaonota1000.com.br), Clayton Dick; João Leal, um dos líderes da Árvore de Livros (www.arvoredelivros.com.br); e Pedro Gigante, diretor comercial e de marketing da WPensar (www.wpensar.com.br). O debate teve como mediador o diretor de marketing da Geekie, Leandro Herrera. Todos os participantes estarão presentes com stands na Bett Brasil e Educar 2015, uma das maiores feiras do setor educacional do País, a partir de quarta-feira, em São Paulo (leia mais aqui).

Eduardo Bontempo e Leandro Herrera discutem com os convidados sobre a modernização da tecnologia nas escolas.

Dá resultado

A discussão sobre novas soluções e ferramentas de ensino é necessária hoje no Brasil (e no mundo) por um motivo básico: a adoção da tecnologia na educação funciona e quem permanecer alheio a isso vai ficar para trás. No debate, cada startup apresentou evidências disso:
No caso da Geekie, estudantes que usaram a plataforma de ensino adaptativo online da empresa por quatro horas semanais durante dois meses tiveram ganho médio de 30% no desempenho – índice mais do que suficiente para fazer a diferença em processos seletivos como o Enem.
Estudantes que tiveram pelo menos dez redações comentadas e corrigidas na plataforma do Redação Nota 1000 tiveram ganhos médios de 250 pontos numa escala que vai de zero a mil, como a do Enem.
A Árvore da Vida usou como exemplo uma escola pequena do interior do Rio, na qual 86% dos alunos leram pelo menos um livro de interesse geral no ano passado, graças à facilidade de acesso oferecida pela biblioteca digital de 14 mil títulos da startup. Considerando a lista de leituras obrigatórias da escola, a média de livros lidos pelos estudantes chegou a 7,3 títulos, ante uma média nacional inferior a 2 obras por ano.
A WPensar, que desenvolve soluções integradas de gestão escolar, apresentou o caso concreto de um colégio que tinha índices de inadimplência de 50%. Além de famílias em dificuldades econômicas, uma parcela importante desse porcentual era composta por pais que simplesmente esqueciam a data de pagamento. Um programa simples de disparo de alertas às famílias em atraso permitiu baixar drasticamente a inadimplência, equiparando a escola a outras na quais o índice gira em torno de 1%.

Baixo custo

Outro fator que impulsiona a adoção da tecnologia é o fato de que ela não requer mais investimento pesado, como ocorria no passado. As soluções criadas pelas quatro startups, por exemplo, rodam na internet ou são programas compatíveis com qualquer computador, eliminando a necessidade de gastar com hardware ou estruturas físicas. Isso pode implicar em gastos até 250 vezes menores – essa foi a diferença calculada por Leal entre a montagem de uma biblioteca física de 14 mil títulos e a versão digital oferecida pela Árvore da Vida.

Desinformação

Para os participantes do debate, se as barreiras estruturais à adoção da tecnologia na educação estão caindo, é preciso concentrar esforços nas barreiras culturais, de mentalidade. Clayton Dick, do Redação Nota 1000, citou uma pesquisa segundo a qual 52% dos professores não tiveram disciplinas ligadas ao uso da tecnologia durante sua formação universitária. Para ele, isso pode explicar um pouco da resistência dos docentes em incorporar as novas soluções ao seu dia a dia.
“O professor tem medo por dois motivos: ele sente insegurança porque esse é um mundo no qual os alunos já nasceram; e teme que seu trabalho perca importância por causa da tecnologia”, disse Clayton. Ele acredita que o professor precisa ter “coragem” e dar o primeiro passo. Vai descobrir que as novas plataformas têm uso bastante amigável – boa parte do trabalho das startups é tornar sua utilização a mais simples possível.
Quanto ao seu próprio status e ao seu papel no aprendizado dos estudantes, o professor pode ficar ainda mais tranquilo.
“Ele sempre vai ser o mediador do processo de ensino. Tecnologia sozinha não funciona”, disse Clayton.

O professor também tem sede de inovação

Bontempo, da Geekie, concordou com Clayton que parte dos professores ainda têm temores injustificados quanto à aplicação da tecnologia. “Mas muitos professores estão com sede de fazer coisas novas”, garantiu. “Não é só a questão do medo, é de mostrar o que a tecnologia vai permitir de melhoria.”
Bontempo citou a transmissão de conteúdo como exemplo de algo que as novas soluções fazem bem. “Por que não deixar ela fazer isso e abrir espaço para (o professor trabalhar) a formação mais ampla do ser humano, a educação por projetos?”
De qualquer forma, o co-fundador da Geekie acredita que o processo de modernização criado pela revolução digital não tem mais volta, porque o aluno está “insatisfeito” com o modelo atual. “É o aluno que está puxando isso, precisamos sair da zona de conforto e construir a escola do futuro.”

Tempo = mais qualidade

A construção dessa escola do futuro exige tempo para refletir sobre modelos que só são replicados porque ninguém tinha parado para pensar sobre sua eficiência – como o da aula expositiva de 50 minutos. Exige também gestores e coordenadores preparados para separar o joio do trigo, o que funciona do que não funciona.
“O gestor que gasta três dias gerando boletos bancários não vai ter tempo para pensar sobre educação. A educação pode mudar o país, mas sem gestão nada acontece”, disse Pedro Gigante, da WPensar. “Nosso objetivo é dar tempo ao gestor para pensar.”
No entender do executivo, a escola do futuro vai exigir a otimização de processos e a capacidade de gerar dados para embasar tanto decisões pedagógicas como de gestão. “É preciso criar uma inteligência de dados a partir do uso da tecnologia.”

Mercado já está amadurecendo

Respondendo a uma pergunta do público do debate, os participantes consideraram natural que professores e gestores se sintam bombardeados pelo anúncio constante de novas soluções tecnológicas.

“Esse é um mercado novo, então é natural que apareçam várias iniciativas novas. É um processo rico. Quanto mais o mercado for ganhando maturidade, mais as soluções que entregam uma proposta de valor clara vão sobreviver. As outras vão morrer”, disse Bontempo.

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Para o executivo da Geekie, o tempo reservado para conhecer essas novas propostas não é tempo gasto, mas investimento. Quem sabe o próximo produto sobre o qual você ouvir falar não é aquele que vai, de fato, revolucionar sua escola? “É preciso manter a cabeça a aberta, estar disposto a ouvir.”

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