"Como o Twitter enriqueceu os debates na sala de aula"

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A professora Monica Rankin, da Universidade do Texas em Dallas, ficou conhecida nos Estados Unidos há alguns anos por usar o Twitter com seus alunos na sala de aula. “Eu acho que é absolutamente essencial que os educadores considerem novas abordagens e novas tecnologias em sala de aula. Estou sempre reavaliando minhas próprias estratégias de ensino para estar em um estado constante de criação e recriação”, afirmou ela. Apesar de sua turma ser composta por estudantes universitários, a sua história fornece boas ideias para turmas de outras idades. Leia o relato que ela postou em seu blog:  
A turma
Eu usei o Twitter no meu curso de História dos Estados Unidos na Universidade do Texas em Dallas por um semestre em 2009. A turma era composta por 90 alunos e as aulas aconteciam em um auditório grande, três vezes por semana. A maioria dos educadores concorda que ter turmas grandes em auditórios limita as opções de ensino a palestras. E a maioria dos educadores também concorda que essa não é a maneira mais eficaz de ensinar. Eu queria encontrar uma maneira de incorporar a tecnologia para criar técnicas de aprendizagem centradas no aluno e envolvê-los mais completamente na aula sem usar discussões convencionais (o que teria sido impossível com 90 alunos).
O plano
Eu ainda precisava dar aulas expositivas na maioria dos dias, a fim de estabelecer uma base para uma participação mais produtiva dos alunos. Às segundas e quartas-feiras eu dava palestras tradicionais que cobriam termos e conceitos importantes, enquanto as sextas-feiras eram reservadas para a ‘experiência Twitter’. A ideia era que, durante a aula, os alunos postassem comentários e perguntas e respondessem uns aos outros usando a rede social. Era obrigatório que eles completassem uma tarefa antes: forneci, no meu site, uma lista de sugestões de textos relacionados com as palestras dos dias anteriores e indiquei perguntas que os ajudassem a tomar notas úteis sobre as leituras. No início das aulas de sexta, eu aplicava um questionário com base nessas leituras e, após o teste, começavam nossas discussões pelo Twitter.
A aplicação
Em primeiro lugar, criei uma conta no Twitter para a classe e dei aos alunos hashtags especiais para usar em todos os seus comentários. Havia hashtags novas a cada semana, para que pudéssemos agrupar os comentários por período e também por tema. Isso permitiu aos alunos rastrear todas as observações para auxiliar seus estudos. Para acompanhar nossas discussões semanais, usamos uma ferramenta chamada TweetDeck, que permitia criar uma coluna diferente para cada hashtag.
As discussões
Fiquei muito satisfeita com o Twitter para facilitar as discussões. É claro que esse processo envolveu tentativa e erro. As duas primeiras semanas foram usadas para que os alunos criassem sua conta e fossem se acostumando com a tecnologia (eu nunca havia a utilizado antes, também). Felizmente, essa é uma geração muito bem alfabetizada tecnologicamente e não demorou muito tempo até que eles descobrissem como tirar o máximo proveito das nossas discussões.
Melhores práticastwitter_mobile
Fizemos várias experiências para encontrar a melhor forma de incentivar as discussões mais construtivas. Descobrimos que o Twitter é mais eficaz quando combinado com outras estratégias – ele não substituía os formatos convencionais, como discussões em pequenos grupos, a interação com o instrutor e o processamento como uma classe inteira. Mas serviu para ampliar essas discussões e trouxe mais interação dos alunos.
Depois de algumas tentativas e erros, descobri que organizar a turma em pequenos grupos (de três a cinco pessoas) para discutir o material junto antes de postar os comentários estimulava mais ideias. Eu também vi que era melhor fornecer temas de discussão específicos para que os comentários seguissem um padrão e conversassem entre si. Dependendo do tema, eles ‘tuitavam’ durante dez minutos e então eu sugeria outro.
Além disso, percebi que as discussões eram mais construtivas quando eu circulava pela sala e me fazia disponível para comentários, sugestões, perguntas e outros feedbacks diretos. Desta forma eu também podia receber sugestões de outros temas a serem abordados. Enquanto isso, eu tinha uma assistente que ficava monitorando a discussão pela internet. Ela postava comentários, respondia perguntas e me avisava se houvesse qualquer comentário que precisasse ser abordado por mim imediatamente. Este foi um aspecto importante da nossa experiência com o Twitter: com 90 alunos em uma sala, eu precisava de ajuda.
Durante os últimos cinco ou dez minutos de aula, eu reunia a sala novamente para ‘processar’ a discussão. Nesse período, além de responder a dúvidas restantes, eu destacava (usando o recurso que hoje é o de ‘dar like’) os comentários mais úteis postados durante a aula. Aqueles que por algum motivo não criaram uma conta no Twitter podiam escrever seus comentários em um papel durante a aula para serem comentados e postados pela nossa assistente ao final do período. Desta forma, todos os comentários úteis estariam acessíveis ao resto da classe como um auxiliar para os estudos.
Limitações
Os tuítes têm que ter até 140 caracteres, então os alunos não podiam entrar em muitos detalhes em seus comentários. Para contornar essa limitação, eu os instruí a postarem em mais de um tuíte, se fosse necessário. Nós também incentivamos os grupos a elaborarem mais suas ideias durante a conversa ao vivo e usamos o tempo do processamento no final da aula para colocar algumas delas em um contexto mais completo.
Pontos Fortes
No geral, eu acho que o experimento foi bem-sucedido principalmente porque incentivou os alunos a participarem de uma forma que não fariam normalmente. Mesmo em turmas menores, apenas um pequeno número de estudantes participa ativamente das discussões em aula. Eles sabiam que o seu grau de participação seria parcialmente determinado pelos seus tuítes e a maioria parecia confortável com o uso da tecnologia para se envolver com os materiais de leitura.
Você, educador, tem alguma experiência bacana envolvendo o uso de ferramentas tecnológicas na educação? Envie sua história para o InfoGeekie no e-mail ana.prado@geekie.com.br.
 

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