"Como a tecnologia mudou minha relação com os alunos"

Edgar Santos do Nascimento usa tecnologia como aliada para ficar mais próximo dos estudantes; em vez de bancar o “durão”, ele é o “irmão mais velho” que torna a matemática interessante

 “Gente, vamos dar uma maneirada. A conversa tá demais…” É a última aula de sexta-feira e os alunos só querem saber do fim de semana. Professor de matemática, Edgar Santos do Nascimento, de 50 anos, percebe que chegou a hora de falar menos e ouvir mais. “O que dá para melhorar?”, pergunta. “Vamos mudar, ver umas videoaulas?”, sugere um aluno.

Sugestão acatada, a aula presencial vira virtual. Quando um grupinho ensaia recomeçar a falação, os próprios colegas interferem. “Ô, ô, olha o combinado…”

Novo tipo de relação

Aqui na Geekie sempre falamos sobre os benefícios do uso da tecnologia na educação. Mas nunca tínhamos nos deparado de forma tão simples e clara com um exemplo como o citado por Edgar, da tecnologia como aliada da disciplina. Graças a ela, Edgar não precisa bancar o professor chato, durão. Pode ser amigo dos alunos. Pode ser o “tio Ed”.

“É assim que eles me chamam, principalmente no Facebook”, conta tio Ed, que dá aulas de matemática há 25 anos nas redes pública e privada – atualmente ele trabalha no Colégio Decisão e na Escola Estadual Artista Plástico Emanuel Alves de Araújo, ambas na zona sul de São Paulo.

Quando falamos da tecnologia como aliada da disciplina você pode ter ficado com a impressão de que é algo fora de moda. Não é. Muda toda a relação professor-aluno. O tio Edgar, na cabeça dos estudantes, é o cara que consegue transformar a matemática em uma coisa interessante, descobrindo conteúdos legais na internet. É mais um irmão mais velho gente boa do que um pai rigoroso.

Elétricos vs. regime militar

“Os adolescentes de hoje são ao mesmo tempo muito elétricos e muito instruídos. Pode faltar responsabilidade, mas eles são meio adultos. São críticos, precisam entender para o que serve aquilo que estão aprendendo”, ensina tio Ed. “Não dá para tratá-los como na minha época de estudante, com um regime militar: você passava a aula inteira anotando o que o professor falava e escrevia. E ainda tinha de dar nas provas as respostas que ele (e não você) queria.”

Tio Ed tem sido bem-sucedido em engajar os alunos. Busca frequentemente na internet meios de tornar o conteúdo em sala de aula mais interessante. As classes gostam quando ele mostra gráficos interativos com ondas que mudam de amplitude conforme você altera os valores do seno e do cosseno nas aulas de trigonometria. Ou usa um site que trabalha com triângulos tridimensionais que se enchem de água para ensinar o Teorema de Pitágoras.

Nepe… o quê?

Aliás, Edgar tem sido tão bem-sucedido no uso da tecnologia que consegue passar aos alunos mais conteúdo do que consta do currículo. Conseguiu, graças a dicas publicadas no Facebook, fazer os estudantes se interessarem, por exemplo, pelo logaritmo neperiano (ou logaritmo natural), assim definido pelo InfoEscola: “É o logaritmo de base e onde e é um número irracional aproximadamente igual a 2,718281828459045.”

Qual foi o milagre para tornar interessante algo tão complexo, professor?

“Tudo depende da abordagem. Sempre explico que quem vai fazer Engenharia precisa entender de cálculo neperiano. Assim fica mais fácil passar em Cálculo 1, matéria que é o grande vilão do 1º ano de Engenharia. Aproveito e explico que o Cálculo 1 serve para você determinar a área de figuras não planas, figuras disformes como alguns cristais”, diz Edgar.

Um exemplo um pouco menos radical de explicar a utilidade de um conteúdo é o das equações de 2º grau, que fazem parte do currículo do 8º ano. “Os alunos precisam saber que essas equações vão ser usadas no ensino médio não só em matemática, mas em problemas de química e física, porque uma coisa vem embutida na outra”, diz Edgar.

3D

E qual o papel da tecnologia de um ponto de vista estritamente didático, tio Ed? “Dá para ensinar tudo melhor com a tecnologia!”, garante, animando-se. “Em geometria espacial você vê as figuras em 3D, elas giram. Dá para identificar bases, arestas, pirâmides – e aqui, de novo, falar de triângulos, do Teorema de Pitágoras…”

Com seu estilo suave em sala de aula, seu interesse pelos conteúdos virtuais e pela linha direta que mantém com os alunos no Facebook, Edgar já se interessava pela aprendizagem personalizada antes mesmo de conhecer a plataforma adaptativa online da Geekie, que só este ano passou a fazer parte da rotina de estudantes do Colégio Decisão.

“Antes eu tentava avaliar meus alunos no dia a dia, passava pelas carteiras quando eles estavam fazendo os exercícios, observava. Tentava ver nas provas e nas tarefas o caminho que eles tinham feito durante o cálculo, não só a resposta final. Dependendo do padrão, você conseguia descobrir que muitas vezes o problema estava lá atrás, na tabuada, e encaminhava o aluno para a aula de reforço”, diz tio Ed.

Sobre jatos e bicicletas

O problema desse tipo de abordagem era que o esforço do professor era inversamente proporcional ao resultado do trabalho. Aulas de reforço eram sinônimo de ficar direto na escola ou voltar à tarde para assistir a aulas bem parecidas com as que não tinham dado resultado no turno normal. O resultado: faltas e mais faltas, até o estudante desistir de vez.

A possibilidade de os alunos fazerem esse trabalho de rever conteúdos em casa, com material apresentado em uma linguagem dinâmica, deixa o experiente professor entusiasmado. “Antes esse trabalho mais personalizado tomava muito tempo e era praticamente manual. O problema é que os alunos andavam de jato e nós de bicicleta.”





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